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Leilão do Galeão estabelece novo modelo de concessão no Brasil

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de abril de 2026 08:00
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, conhecido como Galeão, no Rio de Janeiro, passou por um leilão de relicitação na segunda-feira, 30 de março de 2026. O leilão foi realizado após anos de problemas financeiros e operacionais, e a espanhola Aena venceu com um lance de R$ 2,9 bilhões, um ágio de 210% sobre o preço mínimo de R$ 932 milhões.

Desde sua privatização em 2013, o Galeão não conseguiu atingir a capacidade projetada de 37 milhões de passageiros por ano, registrando apenas 18 milhões no último ano, superando a marca de 17 milhões durante a Copa do Mundo de 2014. O consórcio RIOgaleão, que administrava o aeroporto, acumulou um prejuízo de R$ 651 milhões e um patrimônio líquido negativo de R$ 1,3 bilhão.

““O Galeão estava morrendo lentamente”, diz Vital do Rêgo Filho, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU).”

A nova concessão traz mudanças significativas, como a eliminação da outorga fixa anual, substituída por pagamentos variáveis de 20% da receita anual da Aena. Essa alteração visa dividir os riscos da operação com o poder concedente e melhorar a sustentabilidade financeira do projeto.

O TCU, sob a presidência de Bruno Dantas, criou a Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos, que mediou o acordo entre o consórcio RIOgaleão e a União. Essa abordagem pode servir como modelo para resolver problemas semelhantes em outros aeroportos brasileiros.

““O leilão do Galeão é um ponto de inflexão para o setor”, afirma Ronei Glanzmann, presidente da MoveInfra.”

Além disso, um acordo semelhante foi aprovado pelo TCU para o Aeroporto Internacional de Brasília, que também adotará a outorga anual variável e prevê investimentos de R$ 1,8 bilhão em dez aeroportos regionais.

O novo modelo de concessão enfrenta desafios, como a situação do Aeroporto Internacional de Viracopos, que pediu recuperação judicial em 2018 devido a dívidas de R$ 2,9 bilhões. O governo federal planeja leiloar vinte aeroportos regionais no segundo semestre de 2026, seguindo as diretrizes do novo modelo.

Após anos de desequilíbrios contratuais, o Brasil parece ter encontrado um caminho para desenvolver o transporte aéreo de passageiros.

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