O autor cubano Leonardo Padura, de 70 anos, conversou sobre a realidade de Cuba e a busca por mudanças em uma entrevista realizada em sua casa, em Mantilla, Havana. Padura, conhecido por mesclar fatos históricos com ficção, expressou seu forte sentimento de pertencimento ao país, afirmando que poderia ter deixado Cuba, mas escolheu permanecer.
“Meu trabalho se nutre dela”, disse Padura, que revelou que sua mãe, prestes a completar 98 anos, vive com ele. Ele também mencionou que no quintal estão enterrados todos os cães que teve, reforçando seu apego ao local.
Sobre a situação em Cuba, Padura destacou a falta de energia, água e comida, além de questionar se a esperança também está ausente. “Pessoalmente, alterno momentos de mais e menos pessimismo. Acho que muita gente em Cuba perdeu, sim, a esperança”, afirmou.
Padura também comentou sobre o papel do escritor na sociedade cubana, afirmando que a arte não deve engrandecer o poder. “O artista tem que ser um inconformado e mostrar os elementos obscuros de uma sociedade. É o que eu faço”, declarou.
Questionado sobre a falta de circulação de seus livros em Cuba, Padura explicou que as editoras são estatais e obras inconvenientes não são divulgadas. Ele revelou que seus últimos quatro romances não foram publicados no país e que não aparece na televisão ou nos jornais.
Sobre a ameaça de Donald Trump em relação a Cuba, Padura comparou a linguagem do ex-presidente americano à de conquistadores do século XVI. “Espero que muitas coisas mudem, não porque o governo americano está pressionando, mas porque os cubanos querem mudanças para viver melhor”, disse.
Por fim, Padura comentou sobre os cortes de energia, afirmando que a situação se agravou e que Havana não recebe mais tratamento preferencial. Ele criticou a obsolescência da rede elétrica e a falta de alternativas por parte das autoridades. “Olhe o sol da primavera lá fora. Ele poderia ter sido muito mais aproveitado”, concluiu.
Padura também refletiu sobre as diversas visões que existem sobre Cuba, afirmando que cada um tem sua própria percepção do país, que é visto de diferentes formas, como um lugar que viola direitos humanos ou que representa dignidade frente ao império norte-americano.


