O Secretário-Geral da Liga Mundial Muçulmana, Mohammad Abdulkarim al-Issa, discorreu sobre as falhas que levaram à guerra no Irã e as perspectivas futuras durante uma entrevista. Al-Issa, que lidera uma organização saudita voltada para a promoção do diálogo inter-religioso, destacou a importância da paz preventiva.
Ele afirmou que a escalada do conflito no Oriente Médio poderia ter sido evitada se os sinais de alerta tivessem sido tratados a tempo. ‘Se os mecanismos das Nações Unidas, apoiados por suporte internacional, tivessem intervenido quando deveriam, a situação não teria chegado a esse nível’, disse.
Al-Issa, que foi Ministro da Justiça na Arábia Saudita antes de assumir a liderança da Liga em 2016, enfatizou que a prioridade de certos países em relação a seus interesses políticos em detrimento da estabilidade regional contribuiu para a crise atual.
Sobre a possibilidade de reparação nas relações entre Irã e Arábia Saudita, ele afirmou que isso depende da mudança na conduta política do Irã. ‘Se o Irã melhorar sua conduta política, terá a oportunidade de reparar suas relações com o Reino e outras nações’, afirmou.
Al-Issa também abordou a questão da guerra, afirmando que ela não é religiosa, mas sim uma questão de interesses políticos. ‘O discurso que se apresenta como religioso não representa a verdadeira fé’, destacou. Ele pediu que o Irã abandone comportamentos negativos em relação a seus vizinhos e priorize o bem-estar do povo iraniano.
O líder muçulmano expressou esperança de que a crise seja superada e que uma solução pacífica seja alcançada. ‘Devemos usar lógica e sabedoria, e não ser arrogantes e teimosos’, disse. Ele também fez um apelo para que o Irã abandone seu programa nuclear, que considera uma ameaça à estabilidade da região.
Al-Issa concluiu ressaltando a importância do diálogo diplomático e da cooperação entre líderes religiosos para a resolução de conflitos. ‘Mais de 80% da população mundial se identifica com alguma religião e é fundamental que os líderes religiosos contribuam para encontrar soluções práticas para os conflitos’, finalizou.

