O Ministério Público do Paraná denunciou por homicídio Willian Barile Agati, apontado como uma das principais lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) e um elo da facção com a máfia italiana ‘Ndrangheta. A acusação se refere ao assassinato de Marco Antonio Carvalho, conhecido como “Marcos P2”, ocorrido em abril de 2020.
As investigações indicam que a execução de “Marcos P2” está relacionada ao tráfico internacional de drogas. Segundo o MP, ele foi morto com diversos disparos de arma de fogo enquanto estava em um estacionamento de um posto de combustível. A Polícia Federal, durante a Operação Mafiusi, afirmou que a morte foi motivada por vingança e retaliação, devido à subtração de duas cargas de cocaína que pertenciam a Agati e a um parceiro conhecido como “Grilo”. O prejuízo estimado com a perda das drogas, que deveriam ser enviadas do Porto de Paranaguá para a Espanha, é de cerca de US$ 4 milhões.
Willian Agati é identificado pelas autoridades como o vínculo direto entre o PCC e a máfia italiana ‘Ndrangheta. As investigações revelam que ele seria responsável por gerenciar a logística do envio de grandes remessas de cocaína para a Europa através de portos brasileiros. A Operação Mafiusi apontou que Agati e “Grilo” enviaram aproximadamente 270 kg de cocaína para indivíduos identificados como “Panda” e “Barby”, ambos membros da máfia italiana, com destino a Porto de Valência, na Espanha.
De acordo com a denúncia do MP, as evidências que mostram a conexão internacional foram obtidas por meio da quebra de criptografia de um aplicativo. Essa plataforma teria sido utilizada pela alta cúpula do PCC para coordenar o tráfico e realizar negociações com os mafiosos.
Agati está preso na Penitenciária Federal de Brasília desde janeiro de 2025. Em contato com a defesa de Agati, o advogado Eduardo Maurício afirmou que seu cliente não possui vínculos com o PCC e não é autor de nenhum homicídio. Ele destacou que o inquérito havia sido arquivado por falta de indícios de autoria por parte de Agati, e que a denúncia foi baseada em ilações irresponsáveis de matérias publicadas, ressaltando que Agati é primário, possui bons antecedentes e não há sentença condenatória contra ele, devendo ser respeitada a presunção de inocência.

