O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), priorizou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe o fim da escala 6×1, um movimento que beneficia tanto o Congresso Nacional quanto o governo federal, especialmente em um ano eleitoral.
A analista política Clarissa Oliveira afirmou que existe uma estratégia combinada entre Motta e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permitindo que ambos colham os frutos políticos da proposta que visa reduzir a jornada de trabalho. Ela declarou:
““No meu entendimento, o jogo é todo combinado. No fim das contas, essa equação permite que tanto o Congresso Nacional quanto o presidente Lula colham os frutos dessa proposta de reduzir a jornada de trabalho.””
A articulação ocorreu durante um almoço entre Lula e Hugo Motta. Enquanto o presidente enviou um projeto de lei sobre o tema, a Câmara seguirá com a tramitação da PEC. Isso possibilita que Lula utilize suas redes sociais para mostrar que foi sua caneta que assinou o projeto, ao mesmo tempo em que o Congresso mantém o protagonismo na discussão através da proposta de emenda constitucional.
A proposta de acabar com a escala 6×1 tem grande potencial para gerar votos nas eleições.
““Ninguém nunca duvidou que essa ideia de reduzir a jornada vai dar voto na eleição, vai render uma resposta positiva de vários segmentos do eleitorado,””
afirmou Clarissa.
Ela também destacou que, quando a deputada Érika Hilton (PSOL-SP) ressuscitou a ideia do fim da escala 6×1, até mesmo aliados do governo federal demonstraram preocupação com os impactos econômicos da medida.
““É inegável que isso tenha impacto no setor produtivo, para o empresariado, e vai demandar em movimento de compensação por parte do governo federal, algum tipo de desoneração, alguma medida que venha de forma compensatória a isso tudo,””
observou Clarissa.
Apesar da complexidade da tramitação de uma PEC em comparação a um projeto de lei, o interesse político em torno do tema pode acelerar sua aprovação. Hugo Motta consegue transferir para os deputados o crédito pela aprovação da medida, enquanto Lula capitaliza politicamente ao afirmar que foi ele quem enviou o assunto ao Congresso.

