O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para que este incrimine o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, no caso do Banco Master. A situação, que antes era tratada nos bastidores, tornou-se pública após uma publicação nas redes sociais do deputado Lindbergh Farias (PT), que acusou Galípolo de “blindar” Campos Neto durante depoimento na CPI do Crime Organizado no Senado.
A tensão aumentou após Lula afirmar que Campos Neto “é a serpente que pôs o ovo” do caso do Banco Master, em entrevista ao canal ICL Notícias. “Perguntei para uma pessoa importante desse país aqui: por que é que você nunca publica o nome do Roberto Campos Neto?”, disse o presidente. Ele também mencionou que o ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, recusou-se a reconhecer o Banco Master, enquanto Campos Neto legalizou a instituição.
A indicação de Galípolo para a presidência do Banco Central por Lula é vista como uma tentativa do presidente de manejar a política monetária durante a crise gerada pelo escândalo do Banco Master. Especialistas acreditam que essa habilidade pode ajudar a proteger o Banco Central de um possível descrédito no mercado financeiro, especialmente em um ano eleitoral marcado por polarização entre petistas e bolsonaristas.
A pressão de Lula sobre Galípolo pode levar o governo a enfrentar desafios semelhantes aos que Dilma Rousseff enfrentou, quando Alexandre Tombini, então presidente do BC, atuou como um subordinado, resultando em perda de credibilidade e aumento da inflação e do dólar. A ação de Lula é interpretada como uma tentativa de associar o escândalo do Banco Master ao bolsonarismo, através de Campos Neto.
O depoimento de Campos Neto é aguardado para esclarecer o motivo pelo qual o Banco Master dobrou de tamanho em 2024, coincidindo com o último ano de sua gestão à frente do Banco Central.

