Os MC’s Ryan SP, Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono da Choquei, podem ser soltos após uma liminar do STJ (Superior Tribunal de Justiça) aceitar um pedido de habeas corpus nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026. O pedido de liberdade foi inicialmente realizado pelos advogados de Ryan e do influenciador Diogo 305, mas o ministro Messod Azulay Neto estendeu a medida a todos os detidos na operação.
Na análise, o ministro acatou o argumento da defesa de que a própria PF havia limitado seu pedido de restrição de liberdade ao prazo máximo de cinco dias. O STJ informou que, após a decisão do ministro, o ofício ainda passará por análise do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), que afirmou não ter sido informado sobre o tema e que o processo corre em segredo.
O escritório Cassimiro & Galhardo Advogados explicou que a consequência natural da decisão é a revogação da prisão. A defesa de Raphael Sousa afirmou que a liminar “restabelece os limites legais da medida e corrige um excesso”.
““O escritório Cassimiro & Galhardo Advogados informa que, em razão de Habeas Corpus impetrado pela defesa, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu decisão liminar reconhecendo a ilegalidade das prisões de MC Ryan, Diogo 305 e dos demais investigados no âmbito da Operação Narco Fluxo, determinando as providências necessárias ao imediato restabelecimento da liberdade.””
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada em 15 de abril pela PF, com apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo. O objetivo era desarticular uma associação criminosa envolvida na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, exploração de jogos de azar e rifas digitais. A operação teve origem a partir de dados extraídos de um backup em nuvem de Rodrigo Morgado, apontado como contador do grupo.
A Justiça determinou o bloqueio patrimonial de R$ 1,6 bilhão, valor rastreado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A PF apontou que o grupo criminoso pode ter movimentado até R$ 260 bilhões no total. Foram expedidos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária cumpridos em nove estados e no Distrito Federal.
Durante as diligências, a polícia apreendeu cerca de 55 veículos de luxo, avaliados em cerca de R$ 20 milhões, além de dinheiro em espécie, joias, armas, munições e dispositivos eletrônicos. O saldo de criptomoedas em corretoras também foi confiscado.
A investigação constatou uma ligação estrutural do grupo com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), com Frank Magrini apontado como operador financeiro. A PF indicou que a rede pagava “mensalidades” à facção a partir de estabelecimentos comerciais do grupo.

