O cantor Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan, permanece preso na carceragem da Superintendência da PF (Polícia Federal) em São Paulo. A informação foi confirmada neste sábado (18) pela defesa do músico. MC Ryan está detido há cerca de três dias, desde quarta-feira (15), quando foi capturado em Riviera de São Lourenço, Bertioga, no litoral de São Paulo.
O artista é apontado como líder de uma organização criminosa que teria movimentado transações bilionárias de forma ilícita. A operação que resultou na detenção de Ryan foi realizada pela Polícia Federal e recebeu o nome de “NarcoFluxo”. A investigação revela que ele e outras personalidades do entretenimento estariam envolvidos em um esquema voltado para a lavagem de dinheiro.
Além disso, alguns dos investigados têm ligações com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Na última quinta-feira (16), após a audiência de custódia, a Justiça decidiu manter a prisão de MC Ryan e de outros envolvidos. Entre os detidos estão o cantor MC Poze do Rodo, Mateus Magrini (irmão de Ryan), e os influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão, conhecidos como o “Casal Imports”.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 1,6 bilhão, valor rastreado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). As estimativas da PF indicam que a movimentação total do grupo pode ultrapassar R$ 260 bilhões. Para dar aparência de legalidade às operações, o grupo utilizava um mecanismo descrito como “escudo de conformidade”, onde artistas e influenciadores exploravam sua visibilidade pública para mascarar as movimentações financeiras.
O esquema incluía mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias para familiares e “laranjas”. A PF constatou que essas ferramentas eram utilizadas para ocultar a origem dos valores. O principal elo do grupo com o PCC seria Frank Magrini, identificado como operador financeiro da facção, que teria financiado o início da carreira de MC Ryan em 2014.
A operação resultou na expedição de 39 mandados de prisão temporária, dos quais 33 foram cumpridos, além de 45 mandados de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal. Durante a ação, foram apreendidos computadores, dispositivos eletrônicos e cerca de R$ 20 milhões em veículos de luxo, incluindo modelos das marcas Porsche e BMW.
A defesa de MC Ryan afirmou que “até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.” A defesa de MC Poze do Rodo também informou que ainda desconhece os autos do processo. O espaço segue aberto para novas declarações.

