O thriller político ‘A Conspiração Condor’, dirigido por André Sturm, estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026. O filme vai além do gênero e busca abordar lacunas da história brasileira.
No centro da narrativa, Mel Lisboa, de 44 anos, interpreta Silvana, uma jornalista que investiga a morte dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart em 1976, durante a ditadura militar. A atriz compartilha que o projeto representou um processo de autodescoberta para ela.
Em entrevista, Mel afirmou: ‘Eu não sabia dos questionamentos que rondavam as mortes e nem dessa possibilidade da Frente Ampla. A Operação Condor em si, eu sabia, né? Mas essa tese que é levantada pelo filme, eu não sabia. Foi algo que me incentivou bastante a fazê-lo.’
Um dos aspectos mais profundos da trama envolve experimentos reais de controle social e obediência à autoridade. Mel mencionou a influência de Hannah Arendt e a ‘banalidade do mal’, refletindo sobre como a autoridade pode levar pessoas a cometer atos atrozes. ‘A gente se pergunta: ‘e se fosse comigo, será que eu faria uma coisa assim?’. Até que ponto vai a nossa ética?’, questionou.
Diferente de outros personagens ambíguos, Silvana é descrita por Mel como uma mulher de caráter firme. ‘Ela tem uma ética única, não tem duas caras. Ela vai, independentemente do medo, da percepção de que está correndo riscos. Ela acha mais importante a busca pela verdade’, explicou a atriz.
A trajetória de Silvana começa com uma desilusão cotidiana. ‘Ela começa numa curva da inocência. Ela estava muito cansada do trabalho que fazia, desestimulada. E aí, de repente, se vê diante de um fato e de uma curiosidade. Aquilo faz com que ela se sinta viva’, disse Mel. Contudo, essa busca pela verdade traz riscos reais, como a morte de testemunhas que ela investiga.
Mel Lisboa também traçou um paralelo entre a censura dos anos 1970 e a desinformação atual. ‘Hoje, a gente acha que tem controle porque tem o celular na mão, mas é uma doce ilusão. Você está sendo manipulado por algoritmos, por bolhas. Muita gente prefere ouvir uma mentira porque aquilo é mais confortável’, afirmou.
Sobre o cenário de redação, Mel destacou a parceria de Silvana com a jornalista Marcela, interpretada por Maria Manoella. ‘Duas cabeças pensam melhor que uma. Tem essa união de uma jornalista respeitada, com contatos, e a outra com essa fome pela verdade. É um golpe importante do filme’, concluiu.

