A montadora BYD foi incluída na “lista suja” de trabalho escravo do governo federal, atualizada em 6 de abril de 2026.
A inclusão ocorreu após o resgate de trabalhadores chineses em dezembro de 2024. O governo federal informou que 220 trabalhadores foram contratados para a construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Grande Salvador (BA).
Esses trabalhadores foram encontrados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene, sob vigilância de seguranças armados que os impediam de sair do local. Além disso, os passaportes dos trabalhadores foram retidos e os contratos continham cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e a ausência de descanso semanal.
Um dos trabalhadores relatou ao Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) que um acidente com uma serra foi causado pelo cansaço devido à falta de folgas. Os trabalhadores entraram no Brasil de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades que realizavam na obra.
A BYD declarou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades, levando à rescisão do contrato. A montadora afirmou que não tolera desrespeito à legislação brasileira e à dignidade humana, e transferiu parte dos trabalhadores para hotéis na região.
O MPT-BA firmou um acordo com a montadora no valor de R$ 40 milhões e duas empreitadas, após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão no final do ano passado. Após o acordo, a BYD reafirmou seu compromisso “inegociável” com os direitos humanos e que se manifestaria nos autos da ação movida pelo órgão. Contudo, até o momento, a empresa não se manifestou sobre a inclusão na lista suja.

