A morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na Zona Leste de São Paulo, gerou críticas à conduta da Polícia Militar. Especialistas afirmam que a ação foi marcada por abusos e não seguiu os protocolos adequados.
Na madrugada de sexta-feira (3), Thawanna e seu marido, Luciano Gonçalvez dos Santos, caminhavam de mãos dadas na Rua Edimundo Audran, quando uma viatura da PM passou pelo local. A confusão começou quando Luciano esbarrou no retrovisor do carro. O policial Weden Silva Soares deu ré e iniciou uma discussão com o casal.
A soldado Yasmin Cursino Ferreira, que estava no banco do passageiro, desceu da viatura e também começou a discutir com Thawanna. A situação escalou e Yasmin disparou contra a mulher. Thawanna foi socorrida ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos.
O tenente-coronel da reserva da Polícia Militar, Adilson Paes de Souza, classificou o episódio como um “absurdo” e afirmou que a abordagem não seguiu os protocolos da corporação. Ele destacou que a sequência de abusos culminou na morte de Thawanna, que deveria ser investigada como homicídio qualificado por motivo fútil.
“”É abuso desde o começo. O linguajar que [o policial] usa com a pessoa, o vídeo mostra. Quem começou agredindo foram os policiais militares”, afirmou.”
Cláudio Aparecido da Silva, ex-ouvidor das polícias de São Paulo, também criticou a ação, afirmando que não pode ser chamada de abordagem, mas sim de uma briga entre policiais e o casal. Ele destacou falhas na forma como o patrulhamento foi realizado, como a viatura estar com os sinalizadores desligados.
As imagens das câmeras corporais mostram que Thawanna não encostou no retrovisor da viatura e que a discussão foi iniciada pelos policiais. A soldado Yasmin não estava usando a câmera, o que gerou questionamentos sobre a falta de equipamento.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os dois policiais envolvidos foram afastados e que o caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A família da vítima afirma que a policial não realizou nenhuma abordagem e atirou diretamente.
A morte de Thawanna provocou protestos de moradores do bairro, que criticam a violência da Polícia Militar. Luciano, marido da vítima, relatou que a viatura passou em alta velocidade e que a policial desceu da viatura e disparou em direção à sua esposa.
“”Chegou oprimindo ela, deu um chute. Nisso que ela deu um chute, o policial estava com a mão na minha cabeça, com olhos arregalados. Teve disparo. Eu pensei que era bala de borracha”, disse Luciano.”
A SSP afirmou que todas as circunstâncias do caso estão sendo investigadas com prioridade e que as imagens das câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos.


