O Ministério Público de São Paulo requereu que os integrantes de uma quadrilha condenada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Ribeirão Preto paguem uma indenização de R$ 30 milhões. O valor será destinado à saúde pública do município.
O pedido faz parte de um recurso apresentado pela Promotoria após a condenação de 20 investigados na Operação ‘Car Wash’, cujas penas variam de um a 34 anos de prisão. O MP argumenta que os condenados obtiveram lucros elevados com os crimes e solicita que compensem a sociedade com a indenização por dano moral difuso, que será revertida em favor do Sistema Único de Saúde (SUS).
O recurso ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Entre os condenados, Allan Tadashi, identificado como o chefe do esquema, e Nevanir de Souza Neto, um dos financiadores, foram destacados.
O esquema criminoso operou de 2019 a 2023 e envolveu uma rede que fornecia cafeína para aumentar a produção de cocaína e lavava dinheiro através da venda de carros de luxo. As investigações indicaram que a quadrilha movimentou R$ 60 milhões em cinco anos, utilizando veículos avaliados entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão.
Além disso, a venda de carros de luxo incluía a adulteração da quilometragem para atrair compradores. Conversas entre os investigados mencionavam essa prática, com um deles afirmando que realizava “milagres”.
Em 24 de março, o Tribunal de Justiça condenou 20 pessoas, incluindo Allan Tadashi, que recebeu uma pena de 34 anos e quatro meses. Ele está preso desde o início da operação e residia em um condomínio na zona sul de Ribeirão Preto.
Nevanir de Souza Neto foi condenado a 21 anos, quatro meses e 20 dias. Roger Martins e Antão Viana Júnior, principais fornecedores de cafeína, receberam penas de 22 e 18 anos, respectivamente. As defesas de alguns condenados, incluindo a de Roger Martins, alegam que as sentenças são desproporcionais e planejam recorrer.


