Na madrugada desta quarta-feira, 15 de abril de 2026, 500 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram a Fazenda Córrego, localizada no município de Madalena, no Ceará. No Tocantins, os militantes ocupam desde ontem o Loteamento Praia Chata, uma terra pública da União, no município de São Sebastião.
O movimento anunciou ações em 24 estados a partir desta semana, que incluem invasões de fazendas, em homenagem aos 19 mortos do massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido no Pará no dia 17 de abril de 1996. Além das invasões de propriedades privadas e áreas públicas, o MST deu início a marchas e outros tipos de mobilizações para pressionar o governo a implementar a reforma agrária.
No município de Madalena, os manifestantes que ocuparam a Fazenda Córrego afirmam que a propriedade possui mais de 300 hectares de terras improdutivas. Em Tocantins, a invasão ocorre em uma área que já tinha uma portaria do governo instituindo um assentamento, que não foi concretizado. O movimento declarou: “A área permanecia sem famílias assentadas e à mercê da especulação imobiliária”.
Por meio das ações em 24 estados, o MST busca chamar a atenção para a impunidade dos policiais militares que atiraram contra os sem terra durante o massacre de Eldorado do Carajás há 30 anos. O MST afirmou: “Dos 155 agentes do Estado envolvidos no massacre, apenas 2 foram presos”. O movimento exige reparação aos sobreviventes e questiona o governo atual pela insuficiência na política de assentamentos.
Além disso, nesta quarta-feira, 200 militantes ocuparam a Procuradoria do Estado em Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema. Segundo o MST, “a ação busca pressionar o governo do Estado de São Paulo para a arrecadação e destinação de terras públicas à reforma agrária e resolver a situação de vulnerabilidade social das famílias sem terra que, em alguns casos, aguardam há mais de 20 anos acampadas”.
Para homenagear os mortos de Eldorado do Carajás, a Câmara dos Deputados realiza hoje à tarde uma audiência pública no Plenário Adão Pretto da Comissão de Direitos Humanos. Está prevista uma sessão solene no Plenário Ulysses Guimarães, conforme informado pelo MST. O movimento convidou para participar da sessão solene o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, o presidente do Incra, César Aldrighi, e representantes da Presidência da República.

