A ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio, baleada durante uma abordagem da Polícia Militar em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, morreu por hemorragia interna aguda, conforme atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) nesta sexta-feira (10).
A causa da morte foi a perda intensa de sangue provocada pelo disparo, segundo a médica responsável pelo exame necroscópico. Socorristas afirmam que a demora no resgate contribuiu para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro.
Thawanna Salmázio aguardou mais de 30 minutos por socorro, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros próximas ao local do disparo. O disparo foi feito pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, que atirou no peito de Thawanna após uma discussão.
O Corpo de Bombeiros instaurou uma sindicância para apurar a demora no atendimento. A Polícia Civil também investiga as circunstâncias da morte, que é tratada como morte decorrente de intervenção policial.
O caso ocorreu na madrugada de 3 de abril. O disparo aconteceu às 2h59 na Rua Edimundo Audran. Cerca de 40 segundos depois, o PM Weden Silva acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e pediu resgate. A ambulância chegou apenas às 3h29, 10 minutos acima da meta de 20 minutos estabelecida pela corporação.
Dados da Polícia Militar indicam que o tempo de resposta esperado para ocorrências desse tipo é menor do que o registrado no caso. O Guia de Indicadores 2020-2023 estabelece como meta que atendimentos de emergência sejam realizados em até 20 minutos.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada sobre a demora no atendimento e afirmou que todas as circunstâncias estão sendo investigadas com prioridade. Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais.
““Todas as provas, incluindo, além das imagens, os laudos periciais e depoimentos, estão sendo analisadas com rigor”, disse a secretaria.”
Imagens das câmeras corporais mostram a sequência de eventos, incluindo a discussão entre os policiais e Thawanna e o momento do disparo. A gravação revela que o soldado Weden, que dirigia a viatura, xingou o casal antes do disparo.
Após o disparo, Weden iniciou os primeiros socorros, mas a ambulância demorou a chegar. Thawanna foi levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.


