Islamabad, no Paquistão, sediará no próximo sábado, 11, conversas entre altos funcionários americanos e iranianos para discutir os termos para um fim permanente da guerra no Oriente Médio. A trégua de duas semanas foi acordada na terça-feira.
A Casa Branca confirmou que o vice-presidente J.D. Vance liderará a delegação americana, acompanhado pelo enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner. A equipe iraniana será liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que as negociações podem durar até 15 dias, sugerindo que alguns membros das delegações podem permanecer em Islamabad após sábado ou retornar para rodadas subsequentes. O Hotel Serena será o local das conversas, que já conta com segurança reforçada na cidade.
Uma proposta de dez pontos, desenhada pelo Irã, estará em discussão, sendo considerada pela Casa Branca como uma “base viável para negociação”. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que se trata de “princípios gerais”. No entanto, há pontos de conflito entre Washington e Teerã.
Um dos principais obstáculos é a discordância sobre o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos exigem a interrupção completa do enriquecimento de urânio pelo Irã e a remoção dos estoques existentes. Em contrapartida, a proposta iraniana inclui a “aceitação do enriquecimento” para fins pacíficos, destacando discrepâncias nas versões em farsi e inglês da proposta.
““100% do estoque radioativo será removido de lá”, afirmou Trump.”
Outro ponto de atrito é a situação no Líbano. O Irã insiste que o cessar-fogo abrange todas as frentes, incluindo o Líbano, enquanto os Estados Unidos e Israel indicam que o acordo não inclui o país. O presidente iraniano, Pezeshkian, mencionou que os ataques israelenses à milícia pró-iraniana Hezbollah tornam as negociações “sem sentido”.
““Nossas mãos permanecem no gatilho. O Irã jamais abandonará seus irmãos e irmãs libaneses”, disse Pezeshkian.”
O Irã também exige o levantamento de todas as sanções e a liberação de ativos congelados no exterior. Os Estados Unidos não concordaram com essa remoção completa, mas Trump sinalizou que as delegações já estão discutindo indiretamente o alívio de tarifas e sanções.
Além disso, o Irã pediu controle sobre o Estreito de Ormuz, com um pedágio que pode chegar a US$ 2 milhões por petroleiro. Os Estados Unidos, que buscam navegação livre, ameaçaram destruir a infraestrutura iraniana caso o estreito permaneça bloqueado.
O plano do Irã também inclui a retirada das forças americanas da região, uma exigência que contraria a estratégia dos EUA de manter uma forte presença militar. Atualmente, há cerca de 50 mil soldados americanos na região.
Por fim, o Irã busca compensação formal pelos danos sofridos durante o conflito e um compromisso de não agressão por parte dos Estados Unidos. Segundo o jornal americano The New York Times, o regime iraniano estaria disposto a usar as receitas do novo pedágio para reconstruir as instalações destruídas pelos ataques.
““A proposta é muito importante, mas ainda é insuficiente”, afirmou Trump.”

