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Neurocientista explica tratamento de Jair Bolsonaro na prisão

Amanda Rocha
Última atualização: 19 de abril de 2026 12:03
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O neurocientista e psicólogo Ricardo Caiado começou a atender Jair Bolsonaro em abril de 2025 na penitenciária da Papudinha, em Brasília. O tratamento visava melhorar a qualidade do sono, reduzir a ansiedade e controlar as crises de soluços que afetavam o ex-presidente.

A técnica utilizada por Caiado, chamada neuromodulação, envolve estímulos elétricos para inibir ou excitar a atividade do sistema nervoso, sendo aplicada em casos de dor crônica, depressão, Parkinson e epilepsia. Com um equipamento portátil, o especialista consegue visualizar o cérebro do paciente através de clipes afixados nas orelhas, permitindo traçar um quadro neural e realizar as intervenções necessárias.

No início do tratamento, Caiado observou um desequilíbrio no estado de saúde de Bolsonaro. “O ex-presidente estava com uma hiperativação do sistema nervoso autônomo simpático”, explicou. Para ilustrar, o psicólogo comparou o corpo humano a um carro: “O acelerador de Bolsonaro estava em 90 e o sistema de freio, que chamamos de ramificação parassimpática, estava em 20, então o sistema não regenera, não se recuperava, e ele não relaxava e não se acalmava”.

Após várias sessões, Jair Bolsonaro começou a responder positivamente à terapia com estímulos elétricos, complementada por exercícios de respiração, atividades físicas e mudanças na alimentação. “Houve o que chamamos de ‘balanço autonômico’ e ele apresentou um sono mais duradouro, melhorou o humor, o relaxamento, e conseguiu diminuir as crises de soluço”, afirmou o neurocientista.

A mudança para a prisão domiciliar foi considerada fundamental por Caiado. “O ex-presidente estava tendo crises muito severas de soluço na Papudinha, mas lá não havia estrutura para uma boa intervenção”, disse. “No ambiente familiar, ele tem a companhia da esposa, das filhas, dos animais domésticos, tudo isso ajuda, com acolhimento e no apoio”.

O neurocientista também destacou características de Bolsonaro que contribuíram para o sucesso do tratamento. “Ele é uma pessoa de extrema resiliência, uma força psicológica mental e física muito acima da média”, comentou. “Mas imagina quando atacam sua família, sua filha menor de idade, por um longo período? A gente vê muitas vezes os pais terem reações desproporcionais”, ressaltou o especialista.

Caiado é primo em segundo grau do ex-governador Ronaldo Caiado, que é candidato à presidência da República pelo PSD.

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