A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) publicou um novo guia para o tratamento do excesso de peso, considerado um dos principais desafios de saúde pública atualmente. A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade reúne atualizações sobre o uso de medicamentos como Wegovy e Mounjaro, além de orientações para o manejo adequado da obesidade, que afeta mais de 30% da população brasileira.
O documento, fundamentado na literatura médica mais recente, destaca que a obesidade é uma doença crônica que já atinge 41 milhões de pessoas no Brasil. Segundo o último atlas da Federação Mundial da Obesidade, a condição cresce rapidamente entre os jovens. Os especialistas que assinam a diretriz, incluindo endocrinologistas e nutricionistas, apresentam 32 orientações para guiar o atendimento em consultórios e centros de saúde.
““A diretriz transforma o avanço científico, que propiciou um cenário terapêutico mais amplo, em orientação prática, oferecendo mais subsídio para a conduta clínica e mais segurança para o cuidado dos pacientes”, afirma Fábio Trujilho, presidente da Abeso.”
Entre as principais mudanças, a diretriz estabelece que o índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 30 é um critério para a prescrição de medicamentos. O IMC maior ou igual a 27 é considerado quando há outras condições de saúde relacionadas ao sobrepeso. Além disso, a diretriz sugere que a circunferência da cintura também deve ser avaliada para considerar o uso de medicações, dado que a gordura abdominal é especialmente prejudicial à saúde.
Os especialistas recomendam que as metas de perda de peso sejam de pelo menos 10% da massa corporal, levando em conta as particularidades de cada paciente. Estudos indicam que essa redução é suficiente para melhorar a qualidade e a expectativa de vida. A diretriz também enfatiza que o tratamento medicamentoso deve ser combinado com mudanças de hábitos, como reeducação alimentar e prática de exercícios físicos.
A Abeso fornece orientações específicas para pacientes com diabetes, doenças cardiovasculares e gordura no fígado, entre outras condições associadas ao peso. A diretriz alerta sobre a contraindicação de medicamentos sem segurança e eficácia comprovadas e a cautela com o uso off-label, que é a prescrição de medicamentos sem a aprovação da bula.
Por fim, a Abeso recomenda cuidados com produtos manipulados para emagrecimento, que podem apresentar riscos à saúde, especialmente hormônios como testosterona, diuréticos e substâncias não aprovadas por órgãos regulatórios.

