Mães de alunos das comunidades quilombolas em Cabo Frio denunciam a falta de segurança no transporte escolar. As crianças da creche até o Ensino Fundamental enfrentam um percurso de 40 minutos em um ônibus com a porta amarrada por uma corda, lotado e sem cinto de segurança.
Regina Severino Soares, presidente do quilombo Fazenda Espírito Santo, afirma que o ônibus, que frequentemente quebra, é uma ‘sucata que carrega os alunos da zona rural’. No último dia 8, uma funcionária teve que segurar a porta durante a viagem.
““Esse é o cenário que nossas crianças quilombolas estão passando. Virou rotina: ou o ônibus quebra ou chega atrasado. Onde que está o direito de ir e vir com segurança? As crianças estão em risco diariamente”, ressalta Regina.”
Além da estrutura precária, os responsáveis se queixam da superlotação. Em um registro, quatro crianças aparecem apertadas em um banco de dois assentos. Loilca dos Santos, mãe de uma adolescente do 8º ano, afirma que essa é a única forma de transporte para a escola, que fica a cerca de uma hora de distância.
““Tudo é ruim. As crianças andam sem cinto, com o ônibus cheio de poeira e vidros quebrados. Na semana passada o ônibus estava com a roda soltando. Isso coloca a vida dos meus filhos em risco”, destaca Loilca.”
Ela compara a situação com o transporte oferecido em outras áreas da cidade: “Eles colocam o ônibus velho para cá. No centro de Cabo Frio, os ônibus são os melhores e com ar condicionado.”
Regina relata que o problema já foi comunicado à Secretaria de Educação de Cabo Frio. Em ofício, a comunidade detalhou as condições precárias do ônibus escolar. Regina afirma que a situação é alarmante e inaceitável.
““Temos registros de ônibus soltando rodas durante o trajeto, portas sendo mantidas fechadas com cordas improvisadas e veículos parando por falta de combustível, o que expõe diariamente nossas crianças e adolescentes a situações de risco”, disse Regina.”
Uma reunião online foi marcada para o dia 17 de março com representantes da Educação, mas até o momento nada foi feito. Em resposta, a prefeitura de Cabo Frio informou que o veículo foi retirado de circulação e substituído por um ônibus de maior capacidade e em boas condições.
A nota afirma que as situações registradas foram tratadas de forma imediata e não são admitidas como padrão do serviço. A Secretaria de Educação também informou que a superlotação foi provocada por uma readequação emergencial da frota, situação que já foi normalizada.


