Pela primeira vez, a Organização das Nações Unidas (ONU) planeja importar combustível para Cuba. A medida visa garantir a distribuição de ajuda humanitária em meio a uma crise energética, agravada por sanções dos Estados Unidos e falhas no abastecimento de petróleo.
Um funcionário da ONU informou que, mesmo com o envio recente de uma carga de combustível pela Rússia, autorizado por Washington, a situação não se alterou. Sem combustível suficiente, parte significativa da ajuda internacional permanece parada.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), cerca de 200 contêineres com suprimentos estão retidos em portos, principalmente no sudeste da ilha. Esses suprimentos incluem alimentos, kits de cozinha, sistemas de purificação de água e painéis solares destinados a populações vulneráveis.
A ONU está arrecadando recursos para financiar a importação de combustível. “Temos um orçamento de 7,5 milhões de dólares para cobrir as necessidades de toda a comunidade humanitária envolvida no plano para Cuba até dezembro”, afirmou Étienne Labande, representante do PMA no país.
A previsão é que, após a captação dos recursos, o abastecimento leve ao menos seis semanas para chegar. O coordenador residente da ONU em Cuba, Francisco Pichon, destacou que a crise energética impacta diretamente todos os grupos da população.
““A crise energética tem um impacto humanitário sistêmico e crescente, afetando todos os aspectos da vida diária em Cuba”, disse Pichon.”
Os efeitos da crise já são visíveis. Mais de 96 mil cirurgias foram adiadas, incluindo cerca de 11 mil em crianças. Aproximadamente 32 mil gestantes enfrentam dificuldades para acessar cuidados pré-natais, enquanto milhares de crianças estão com a vacinação atrasada.
A escassez de combustível também compromete serviços básicos. Cerca de um milhão de pessoas dependem de caminhões-pipa para ter acesso à água, e os apagões prolongados tornaram-se rotina em diversas regiões do país. No sistema educacional, quase meio milhão de estudantes frequentam aulas com carga horária reduzida.
A população idosa, a maior proporcionalmente na América Latina, é uma das mais afetadas. Dependentes de serviços de saúde e com mobilidade limitada, muitos enfrentam dificuldades adicionais para acessar atendimento em meio à deterioração da infraestrutura e à falta de transporte.


