Um pai de santo foi assassinado a facadas dentro de um terreiro em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, na noite de segunda-feira, 13 de abril de 2026. A vítima, identificada como Josiel Oliveira Bomfim, de 29 anos, era uma liderança respeitada na comunidade.
Segundo informações da Polícia Civil, homens invadiram o terreiro localizado no bairro Cruzeiro e atacaram Josiel com uma arma branca. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O crime ocorreu pouco depois das 19h, enquanto alguns filhos de santo estavam reunidos no espaço religioso.
Relatos indicam que dois homens participaram da ação. Um deles estava armado com uma faca e o outro com uma arma de fogo. Após o ataque, os suspeitos recolheram celulares e equipamentos que armazenavam imagens de câmeras de segurança, amarraram algumas pessoas presentes e fugiram.
Câmeras de segurança nas proximidades estão sendo analisadas e testemunhas começaram a ser ouvidas na manhã de terça-feira, 14 de abril. Até o momento, a polícia não definiu uma linha de investigação.
Josiel Bomfim liderava a casa de quimbanda “Passagem de Exu”, que foi fundada há cerca de seis anos e funcionava no bairro Cruzeiro há três. O corpo da vítima foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Vitória da Conquista e liberado para a família na manhã de 14 de abril. O velório e o sepultamento estão previstos para a tarde, mas o local não foi divulgado.
A 1ª Delegacia Territorial de Vitória da Conquista investiga a autoria e motivação do crime. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Vitória da Conquista divulgou uma nota de pesar e indignação pelo caso. A entidade ressaltou a gravidade da morte dentro de um templo religioso e pediu uma investigação rápida e rigorosa.
“”É com profundo pesar e indignação que acompanhamos as notícias sobre a morte trágica de Josiel Bonfim, ocorrida ontem (13/04/2026) no bairro Cruzeiro, em Vitória da Conquista-BA. Mesmo para quem não o conhecia pessoalmente, é impossível não se sensibilizar com a dor de uma comunidade que perde uma liderança respeitada e acolhedora de forma tão violenta. A morte de um líder religioso de matriz africana é uma perda que ecoa além das fronteiras do seu bairro, ferindo o sentimento de segurança e o respeito à diversidade que devem reger nossa sociedade. Cobramos das autoridades da Bahia uma investigação célere e incisiva. Justiça por Josiel Bonfim.””

