Menos de 24 horas após a advogada e influenciadora Agostina Páez retornar à Argentina, seu pai, Mariano Páez, foi filmado imitando um macaco em um bar na província de Santiago del Estero. O incidente ocorreu na madrugada de sexta-feira, 3 de abril de 2026.
Na gravação, Mariano faz gestos racistas e expressa seu descontentamento com o Estado, afirmando: “Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E narco…”. O vídeo foi divulgado por um site local e mostra o empresário ao lado de sua companheira e cercado por outras pessoas.
A imitação de Mariano remete à acusação de racismo contra sua filha, que ocorreu em um bar em Ipanema, no Rio de Janeiro, onde ela estava de férias. Em outro vídeo, Mariano revela que pagou a fiança de US$ 18 mil para que Agostina pudesse responder ao processo em liberdade, negando ter recebido dinheiro público.
Agostina Páez retornou a Buenos Aires na quarta-feira, 1º de abril, após pagar uma caução equivalente a 60 salários mínimos (cerca de R$ 97 mil). Ao depositar a quantia, ela retirou uma tornozeleira eletrônica que a monitorava e continuará a responder pelo crime em seu país de origem.
Ao chegar à capital argentina, Agostina declarou a jornalistas que passou por um “calvário” e expressou arrependimento por sua reação no bar, afirmando que não é racista e culpando a severidade das leis brasileiras.
O julgamento de Agostina começou em 24 de março. A defesa e o Ministério Público do Rio de Janeiro concordaram que, se condenada, ela cumprirá a pena na Argentina. O crime de injúria racial no Brasil é equiparado ao racismo, com pena de prisão de 2 a 5 anos e multa.
Agostina foi presa em 6 de fevereiro, mas liberada horas depois. Ela foi submetida a medidas cautelares, incluindo retenção de passaporte e uso de tornozeleira eletrônica. No dia 31 de março, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou seu retorno à Argentina mediante pagamento da caução.
O incidente inicial ocorreu em 14 de janeiro, quando Agostina se envolveu em uma discussão com o gerente do bar, levando a ofensas racistas, que foram gravadas. Ela chamou trabalhadores do bar de “negro” em tom pejorativo e, ao deixar o local, imitou os sons e movimentos de um macaco.


