O Peru ainda não definiu quais candidatos à Presidência irão disputar o segundo turno, dois dias após a eleição. Nesta terça-feira (14), a contagem de votos continuava em andamento, com candidatos quase empatados.
Com 77% das urnas apuradas, os resultados oficiais mostravam: Keiko Fujimori, conservadora filha de um ex-presidente condenado, com 16,9%; Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima e ultraconservador, com 12,7%; Jorge Nieto Montesinos, candidato de centro, com 11,8%; e Roberto Sánchez, de esquerda, com 10,3%.
A lentidão na apuração repete o cenário da eleição presidencial de 2021, quando o resultado final só foi conhecido cinco dias após o fechamento das urnas. A eleição também foi marcada por problemas logísticos que impediram milhares de eleitores, no Peru e no exterior, de votar. Mais de 52 mil moradores de Lima puderam votar apenas na segunda-feira (13) após a extensão do prazo.
Uma missão de observação eleitoral da União Europeia afirmou nesta terça-feira não ter identificado “fundamentos suficientes” para alegações de fraude. As acusações partiram de López Aliaga, que classificou o pleito, sem apresentar provas, como uma “fraude de tipo único no mundo”. O segundo turno está marcado para 7 de junho, e o vencedor será o nono presidente do Peru em dez anos.
A eleição ocorre em meio ao aumento da criminalidade e a casos de corrupção, o que tem alimentado a insatisfação de eleitores, que veem os candidatos como desonestos e despreparados. Fujimori promete endurecer o combate ao crime, mas também defende leis que, segundo especialistas, dificultam a punição de criminosos.
Se eleita, ela afirma que juízes em casos criminais terão identidade mantida em sigilo e que presos terão de trabalhar para garantir alimentação. Já López Aliaga propõe a construção de presídios na região amazônica e defende que juízes possam manter anonimato, além da expulsão de estrangeiros em situação irregular.
A economia peruana tem resistido à alta da violência e à instabilidade política do país. Impulsionado pela produção de cobre, o Peru registrou crescimento acima de 3% em 2024 e 2025.

