A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), mostra que o presidente Lula (PT) não conseguiu reverter a tendência de piora na avaliação do governo. A inflação de alimentos e o endividamento das famílias são apontados como os principais desafios.
De acordo com o levantamento, 52% dos entrevistados desaprovam o governo, enquanto 43% aprovam e 5% não souberam ou não responderam. A diferença entre desaprovação e aprovação tem aumentado desde o início do ano.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirmou:
“”O principal motor dessa piora parece ser o preço dos alimentos nos mercados. Saltou de 59% para 72% o percentual dos que afirmam ter visto aumento de preço dos alimentos no último mês.””
Além dos preços, o endividamento das famílias continua a afetar um número expressivo de brasileiros. O percentual de entrevistados que afirmam ter poucas ou muitas dívidas subiu de 65% para 72% desde março do ano passado.
Quando questionados sobre a quantidade de dívidas, os resultados foram: 29% afirmam ter muitas dívidas (eram 32% em maio de 2025), 43% têm poucas dívidas (eram 33%), e 28% não têm dívidas (eram 34%).
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 9 e 13 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro da pesquisa no TSE é BR-09285/2026.
Nunes destacou que a inflação de alimentos é central na percepção econômica dos eleitores:
“”O principal vetor dessa piora parece ser o preço dos alimentos nos mercados.””
A pesquisa revelou que 50% dos entrevistados acreditam que a economia piorou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 21% apontam melhora.
Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, a primeira queda desde maio de 2024. Apesar disso, a inflação continua pressionada, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subindo 0,88% em março.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego foi de 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, o menor índice para esse período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Mesmo com iniciativas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o programa Desenrola, o efeito percebido ainda é restrito. Nunes afirmou:
“”A isenção do IR não tem sido capaz de produzir efeitos significativos de melhora na renda.””
Sobre o programa Desenrola Brasil, 46% dos entrevistados aprovam a medida, enquanto 9% desaprovam e 45% não conhecem.
No cenário eleitoral, a pesquisa indica uma perda de vantagem do presidente. Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 42% de Flávio Bolsonaro (PL). Nunes comentou:
“”O empate no segundo turno também é um reflexo do empate no medo que cada um dos dois lados representa.””
A percepção de medo entre os eleitores é quase equilibrada, com 43% temendo a volta da família Bolsonaro e 42% temendo a continuidade do governo Lula.
Nos demais cenários, Lula continua à frente, mas com sinais de alerta, já que Caiado e Zema ainda são muito desconhecidos. Nunes observou que ambos conseguiram reduzir suas rejeições e ampliar seus potenciais de voto no último mês.

