A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira, 15, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que detectou “inconsistências” em laudos, arquivos e documentos fornecidos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre a Operação Contenção, a ação policial mais letal da história do estado.
A PF notificou a Polícia Civil para que complemente as informações. Antes de receber uma resposta, a PF anunciou que iniciará um trabalho próprio de perícia. O objetivo é elaborar laudos de necropsia para cada um dos 122 mortos e compará-los com os exames e documentos emitidos pelas autoridades fluminenses.
Uma equipe de seis peritos criminais federais do Instituto Nacional de Criminalística será responsável por essa tarefa. A expectativa da PF é concluir as perícias em até 90 dias, embora a corporação tenha alertado que esse prazo pode ser prorrogado “a depender da tempestividade e qualidade das informações” solicitadas à Polícia do Rio.
A Polícia Federal já recebeu cerca de 400 horas de gravação da Polícia Civil, e todo esse material está em análise. O cronograma de trabalho foi apresentado ao ministro Alexandre de Moraes no contexto da “ADPF das Favelas”.
O ministro Moraes havia solicitado uma conclusão em 15 dias, mas a PF esclareceu que esse prazo é inviável devido ao volume de documentos e imagens a serem analisados. A “ADPF das Favelas” foi instaurada pelo STF para estabelecer parâmetros de atuação visando reduzir a letalidade policial no Rio, especialmente nas comunidades, e determinou a criação de um plano de recuperação territorial em áreas dominadas por facções e milícias, além da formação de uma força-tarefa da PF para combater a infiltração do crime organizado.

