O plantio de soja da safra 2026 teve início em Roraima. Até meados de maio, a área cultivada deve alcançar 150 mil hectares, representando um crescimento de 15% em relação ao ano anterior, conforme a Associação dos Produtores de Soja de Roraima (Aprosoja-RR).
O município de Amajari, localizado no Norte do estado, destaca-se como um dos polos dessa expansão, atraindo novos agricultores. Johann Chupel, um produtor de Santa Catarina, é um dos novos investidores na região e planeja ampliar sua lavoura. “Esse ano, como são áreas de abertura, a expectativa nossa é plantar de 300 a 350 hectares de soja. Porém, o ano que vem a ideia é triplicar a área”, afirmou Chupel.
A mudança do Sul do Brasil para o extremo Norte trouxe desafios, especialmente em relação às características do solo e ao calendário agrícola local. “Aqui é totalmente diferente do nosso estado, Santa Catarina. Até a época de plantio muda, porque estamos acima da linha do Equador. Tivemos que nos adequar a períodos de chuva e seca, mas conseguimos nos adaptar bem”, explicou o produtor.
A família de Chupel se envolveu no cultivo. Seu filho, Kauê Chupel, interrompeu a faculdade de Direito para se dedicar à agricultura. “Hoje eu peguei a paixão pela terra. Aqui em Roraima isso despertou de verdade. A gente começou tudo do zero, e agora não para o trabalho”, contou o jovem.
O acompanhamento técnico é essencial para garantir uma boa colheita em solo diferente. O engenheiro agrônomo Luciano Biazus destacou a importância da escolha das sementes. “Selecionamos dois materiais de soja já testados, com ciclos diferentes, para equilibrar a produção. São variedades rústicas, com tolerância a pragas, herbicidas e doenças, o que ajuda no manejo e no custo-benefício”, detalhou.
Atualmente, a soja é cultivada em dez municípios de Roraima, impulsionando a economia agrícola local. A expansão ocorre principalmente no lavrado, onde o clima e o relevo favorecem o desenvolvimento da lavoura com o uso das técnicas corretas.
Apesar do otimismo, os custos de produção permanecem um desafio, especialmente devido ao alto preço dos fertilizantes. Mesmo assim, a expectativa é de recomeço a cada safra. “Todo agricultor quer ver a máquina no campo, colocando a semente na terra. Só quem ama a terra consegue enfrentar tudo isso”, concluiu Johann.

