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Polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro afeta políticos do centro

Amanda Rocha
Última atualização: 11 de abril de 2026 08:00
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

As pesquisas de opinião indicam que a polarização política no Brasil pode se consolidar. Em outubro, a disputa pela Presidência deve envolver o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro, deixando pouco espaço para candidatos moderados.

A vitória de um dos lados, como ocorreu em 2022, leva o derrotado à oposição, criando um ciclo que alimenta o radicalismo e afasta uma parte da população que prefere não se envolver com os extremos. Essa situação tem gerado um efeito colateral, com políticos tradicionalmente ligados ao centro sendo empurrados para as extremidades por questões de sobrevivência.

A ex-senadora Kátia Abreu é um exemplo dessa migração. Com um histórico que inclui filiações a diversos partidos, ela trocou de legenda pela décima vez, agora se filiando ao PT. A mudança foi celebrada pelo diretório do partido em Tocantins como um “gesto de maturidade política”.

““Vou discutir o assunto com o presidente. Ele está participando ativamente da montagem dos palanques nos estados”, disse Kátia Abreu.”

O movimento gerou protestos dentro do PT, com integrantes da Articulação de Esquerda se manifestando contra sua filiação. Em 2020, o senador Sergio Moro deixou o cargo de ministro da Justiça e, seis anos depois, se filiou ao PL, onde se tornou pré-candidato a governador.

O ex-presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, também trocou o PSD pelo PSB, migrando para a esquerda. Ele justificou sua mudança afirmando que deseja defender a democracia e as causas sociais.

““Quero estar ao lado deles, defendendo a democracia, as causas sociais, os mais necessitados e os trabalhadores”, afirmou Pacheco.”

A ex-ministra Simone Tebet também deixou o MDB, onde militou por quase trinta anos, e se filiou ao PSB, buscando um espaço que não mudasse sua essência.

““A visão do PSB me dá todo o conforto de ir para o partido sem mudar minha essência”, disse Tebet.”

A tendência de migração de políticos moderados para os extremos ficou evidente com o fechamento da janela partidária, onde o União Brasil e o PP perderam catorze parlamentares, enquanto o PL aumentou sua bancada. O deputado Mendonça Filho, que estava há quarenta anos no mesmo partido, se transferiu para o PL, justificando sua saída pela falta de coesão do União Brasil.

““Tendo em vista as dificuldades locais em Pernambuco e a perda de foco, de posicionamento e de coesão da bancada nacional, me vi cada vez mais fora do partido”, explicou Mendonça.”

O analista político Thiago Queiroz afirmou que a migração é resultado de tensões internas e conflitos provocados pela polarização. O cientista político Murilo Medeiros destacou que o centro tem menor densidade, enquanto os polos se tornam mais atraentes para novos quadros.

Os parlamentares buscam se associar a projetos presidenciais competitivos para garantir visibilidade e reduzir custos de campanha, tornando a permanência no centro mais arriscada.

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