Policiais militares e um guarda municipal foram identificados durante as investigações da Operação Abadon por envolvimento em um esquema interestadual de tráfico de cocaína entre o Pará e o Amapá. O guarda municipal Pedro de Morais Santos Garcia, de 43 anos, é apontado como líder da facção “Família Terror do Amapá”. Em Belém, também foram presos os policiais militares Fernando Henrique da Silva Albernás, de 35 anos, e José das Graças Peres Monteiro, de 40 anos.
As apurações revelaram uma estrutura sofisticada, com divisão de tarefas e uso dos agentes públicos para dar suporte às atividades do tráfico e lavagem do dinheiro com a compra de imóveis e veículos de luxo. Segundo a polícia, Pedro Garcia exercia papel central no esquema, sendo responsável por abastecer o mercado de drogas nos dois estados. As investigações indicam que, ao longo de três anos, o grupo movimentou cerca de R$ 40 milhões.
Pedro utilizava o cargo na Guarda Municipal de Marituba, na Região Metropolitana de Belém, como forma de encobrir as atividades criminosas. Ele realizava ações oficiais enquanto coordenava o tráfico de entorpecentes. O suspeito já era conhecido das autoridades, tendo sido alvo de outra operação em 2021, após ser identificado em um esquema que envolvia o roubo de uma aeronave utilizada no transporte de drogas.
Além do tráfico de cocaína, o grupo também é investigado por lavagem de dinheiro, utilizando movimentações financeiras para ocultar a origem ilícita dos recursos. O esquema incluía transporte de drogas, distribuição local e suporte logístico, com participação direta de agentes públicos, o que facilitava a circulação e dificultava a ação das autoridades.
Durante a operação, foram apreendidos materiais para auxiliar nas investigações, incluindo documentos, dispositivos eletrônicos e valores em dinheiro, que podem ajudar a mapear a rede criminosa. A polícia segue em busca dos foragidos e investiga a possível participação de outros envolvidos, além de apurar se houve vazamento de informações que comprometeu o cumprimento de mandados.
A Prefeitura de Marituba informou que não compactua com condutas ilegais e que, caso seja confirmada a participação de qualquer servidor em atividades criminosas, serão adotadas imediatamente as medidas administrativas cabíveis.
A Operação Abadon foi deflagrada na terça-feira (31) com o objetivo de cumprir mandados de prisão e busca e apreensão. A Polícia Militar informou que os agentes estão à disposição da Justiça. Após passarem por exame de corpo de delito na Polícia Científica, eles foram encaminhados ao Batalhão Especial Penitenciário. A corporação destacou que não compactua com desvios de conduta e que a Corregedoria-Geral acompanha o caso. O guarda municipal Pedro Garcia não foi localizado e, segundo a polícia, ele fugiu durante a operação acompanhado da namorada e do cunhado, que é apontado como principal comparsa.

