A ponte sobre o Igarapé Rapirrã, em Plácido de Castro, no Acre, iniciou manutenção parcial nesta sexta-feira (10) após ser danificada pela cheia do Rio Abunã. A estrutura, que conecta o município à Vila Evo Morales, na Bolívia, está interditada para tráfego de veículos desde o fim de março devido à cheia.
A Defesa Civil Municipal informou que, apesar do início dos reparos, a ponte permanece interditada para veículos e é utilizada apenas por pedestres e ciclistas. A liberação total da ponte depende da conclusão dos trabalhos e de uma nova análise das condições de segurança da estrutura.
Os trabalhos de manutenção concentram-se nos pontos danificados identificados durante as vistorias, sem a retirada completa da estrutura. Uma intervenção mais ampla está prevista para ocorrer após a normalização do nível do rio, conforme a Defesa Civil.
Na medição desta sexta-feira (10), o Rio Abunã registrou 12,53 metros, abaixo da cota de transbordo de 12,60 metros, mas ainda acima da cota de alerta, que é de 12,20 metros. Com a vazante, houve redução do volume de água no igarapé Rapirrã, permitindo avaliações técnicas e o início das intervenções com apoio de embarcações.
A ação envolve equipes do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), da Prefeitura de Plácido de Castro e representantes bolivianos. A demanda foi levantada pela Defesa Civil municipal, que fez inspeções no local e encaminhou relatórios técnicos aos órgãos responsáveis.
Apesar da redução do manancial, o município permanece em estado de atenção devido ao período chuvoso e à possibilidade de novas elevações no nível do rio. O rio Abunã havia marcado 12,93 metros na última terça-feira (7), ultrapassando em 33 centímetros a cota de transbordo.
Na área urbana, duas famílias precisaram deixar suas casas e foram acolhidas por parentes e amigos, mas não há registro de desabrigados. Entre 1º e 3 de abril, o município registrou cerca de 280 milímetros de chuva, levando o governo do estado a decretar situação de emergência em Plácido de Castro e outros cinco municípios.
Engenheiros do Deracre realizaram nova vistoria na última terça-feira (7) e mantiveram a recomendação de interdição. A liberação para veículos ocorrerá somente após a redução do nível da água e uma nova análise da estrutura.
O prefeito de Plácido de Castro, Camilo da Silva (PP), afirmou que a gestão municipal está acolhendo e atendendo as famílias afetadas com distribuição de cestas básicas e acompanhamento da evolução da cheia do manancial e igarapés.
““Essa semana nós tivemos desse lado de cá, que é do Rapirrã, onde a ponte foi extremamente comprometida. A enchente, pela primeira vez, quase banhou a ponte”, disse o prefeito.”
Estudantes que atravessam a fronteira para cursar medicina na Bolívia relataram o medo de atravessar a ponte a pé. Osvaldo Junior, de 39 anos, comentou sobre a dificuldade de chegar à faculdade, que leva em média 20 minutos a pé.
““A gente tem que ir, porque tem que estudar, mas é nesse risco diário”, afirmou.”
Alexandria Jardim, outra estudante, descreveu as dificuldades enfrentadas no percurso, que começa em Senador Guiomard, distante 73 km da cidade fronteiriça. Comerciantes do lado boliviano também relatam prejuízos devido à interdição da ponte.
““O comércio fica prejudicado porque tanto Bolívia quanto Brasil precisam um do outro”, disse o empresário Ruan Sousa.”


