Um estudo da Macroinfra indica que os portos brasileiros poderão atingir o limite de capacidade de movimentação de contêineres até o ano de 2040. A pesquisa, que utiliza dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), revela um quadro de saturação operacional em quatro terminais portuários: Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí/Navegantes (SC) e Itapoá (SC).
A pesquisa aponta que, sem a implementação de projetos de expansão e novos terminais, a capacidade portuária de movimentação de contêineres no Brasil pode se esgotar nos próximos quatro anos. Olivier Girard, sócio-diretor da Macroinfra, afirmou que os principais terminais operam de forma saturada, especialmente a partir de 2020, o que gera custos extras, atrasos e perda de confiabilidade na cadeia logística.
No Porto de Santos, a taxa de ocupação dos principais terminais aumentou de 55,9% em 2015 para 76,8% em 2024, atingindo 79,7% no último ano. Apesar do aumento na produtividade média dos terminais, que subiu de 72 para 86 TEUs/hora, esse ganho não é suficiente para atender à demanda crescente.
O Porto de Paranaguá, que partia de uma taxa de uso de 35,7% em 2015, alcançou 81,8% em 2024 e 86,0% em 2025, entrando em zona de saturação. A produtividade do terminal, no entanto, cresceu de 83 para 107 TEUs/hora entre 2015 e 2023, antes de cair para 88 TEUs/hora no último ano.
Em Santa Catarina, o Porto Itapoá também enfrenta sobrecarga, com a taxa de uso subindo de 50,2% em 2015 para 84,7% em 2024. No último ano, o indicador foi de 88,7%, evidenciando a operação acima da capacidade prática do terminal, embora a produtividade tenha aumentado de 64 para 93 TEUs/hora.
Com os gargalos nos principais terminais, a logística marítima está redirecionando cargas para portos secundários, como o do Rio de Janeiro, cuja participação no fluxo nacional de contêineres quase dobrou, passando de 3,7% para 6,2% entre 2015 e 2025. A movimentação total do porto carioca cresceu 139%, de 292 mil TEUs para 917 mil TEUs.
Além do porto do Rio, os terminais de Salvador, Pecém (CE) e Suape (PE) também aumentaram sua participação, absorvendo cargas que buscavam alternativas aos corredores congestionados. O volume de comércio exterior e do mercado interno de cargas em contêineres cresceu 60% de 2015 até o último ano, enquanto a navegação por cabotagem subiu 111% no mercado interno.
Entretanto, a expansão da capacidade dos principais terminais não acompanha o aumento da demanda, mesmo com obras em andamento, como o terminal STS10 em Santos e o novo terminal da Maersk em Suape. A demanda projetada para os próximos quatro anos é de 20,4 milhões de TEUs, quase toda a capacidade total prevista de 23 milhões, o que indica que o esgotamento ocorrerá antes do previsto, exigindo planejamento imediato para novos projetos.


