Os preços ao produtor da China subiram em março pela primeira vez em mais de três anos, conforme dados do Escritório Nacional de Estatísticas divulgados nesta sexta-feira (10). O índice aumentou 0,5% em relação ao ano anterior, encerrando uma sequência de 41 meses de quedas.
A alta é atribuída a pressões de custo geradas pela guerra no Irã, que pode impactar a economia chinesa, já fragilizada. Economistas alertam que a inflação impulsionada por custos mais altos pode comprimir as margens das empresas e prejudicar o crescimento.
O aumento superou ligeiramente a previsão de 0,4% estimada em uma pesquisa da Reuters. “A inflação importada não é favorável à economia”, afirmou Xing Zhaopeng, estrategista sênior para a China do ANZ. “Para erradicar o risco de deflação, a China ainda precisa continuar a promover esforços ‘anti-involução’ e estimular a demanda interna.”
O choque no custo dos insumos ameaça aumentar a pressão sobre os empregos e salários, com um quarto das empresas de manufatura já operando com prejuízo. O consumo interno fraco e a demanda externa em declínio deixam a economia com pouca margem de manobra.
Os preços ao produtor aumentaram especialmente nos setores com uso intensivo de energia. O setor de mineração de metais não ferrosos registrou um salto de 36,4% em março, enquanto a fundição e processamento de metais não ferrosos tiveram um aumento de 22,4%.
Por outro lado, a inflação de preços ao consumidor da China diminuiu ligeiramente em março, com um aumento de 1% em relação ao ano anterior, comparado ao avanço de 1,3% em fevereiro. Na comparação mensal, os preços ao consumidor caíram 0,7%, ante previsão de um declínio de 0,2%.

