O preço dos preservativos pode aumentar entre 20% e 30% se a guerra com o Irã continuar a afetar as cadeias de suprimentos globais. A afirmação é do CEO da Karex, Goh Miah Kiat, feita em entrevista na terça-feira (21).
A Karex, maior fabricante de preservativos do mundo, já enfrenta interrupções na produção desde o final de fevereiro, devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que afetou o fornecimento de materiais essenciais. ‘A situação é definitivamente muito frágil, os preços estão altos’, afirmou Goh. ‘Não temos outra opção a não ser repassar os custos para os clientes neste momento.’
A empresa, sediada na Malásia, produz preservativos, lubrificantes íntimos, luvas, cateteres médicos e capas para sondas. Com capacidade para fabricar mais de 5 bilhões de preservativos por ano, a Karex exporta para mais de 130 países.
Goh também mencionou que a empresa enfrenta custos mais altos de fabricação e embalagem, além de atrasos no envio. ‘Estamos vendo muito mais preservativos em embarcações que ainda não chegaram ao seu destino, mas que são extremamente necessários’, disse.
Enquanto isso, a Karex possui estoque suficiente para alguns meses. A guerra no Irã também impactou a produção de matérias-primas, como nafta, óleo de silicone e amônia, que são essenciais na fabricação de preservativos.
Angie Gildea, diretora global de petróleo e gás da KPMG, destacou que, embora o foco esteja no petróleo bruto, as matérias-primas e produtos petroquímicos também estão em falta. ‘Se os países que produzem os produtos que compramos não conseguem acessar as matérias-primas, eles precisam aumentar os preços para compensar’, explicou.
Além disso, países como Mianmar e Camboja começaram a racionar combustível, e algumas escolas no sudeste asiático, incluindo no Vietnã, emitiram ordens de permanência em casa devido ao alto custo de deslocamento. Isso pode afetar a capacidade dos trabalhadores de chegar às fábricas, atrasando a produção de produtos essenciais destinados à exportação.

