O presidente do Simespi, Paulo Estevam Camargo, alertou sobre os impactos econômicos da proposta de fim da escala 6×1. O debate ganhou força após a divulgação, na última terça-feira (7), de um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que estima um impacto negativo de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caso a jornada de trabalho seja reduzida.
Esse valor representa cerca de 0,7% da economia nacional e evidencia não apenas os efeitos trabalhistas, mas também os macroeconômicos. A análise da CNI aponta que a indústria seria a mais afetada, com perdas estimadas em R$ 25,4 bilhões, seguida pelos setores de serviços, comércio e agropecuária.
Camargo afirmou que os números apresentados pela CNI qualificam o debate ao trazer evidências concretas sobre os efeitos econômicos da proposta. Ele destacou que “mudanças estruturais na jornada de trabalho, quando desacompanhadas de ganhos de produtividade, tendem a gerar desequilíbrios no sistema produtivo”.
O presidente do Simespi observou que a estimativa de retração do PIB está ligada ao aumento do custo do trabalho e à dificuldade de reposição das horas reduzidas. Segundo a CNI, a diminuição da jornada elevaria o custo por trabalhador, refletindo em toda a cadeia produtiva e potencialmente aumentando os preços finais.
Camargo também ressaltou o risco de perda de competitividade da produção nacional. O estudo da CNI indica que a redução da jornada pode aumentar a exposição do Brasil ao mercado externo, resultando em queda nas exportações e aumento das importações, o que pode acelerar a desindustrialização.
Ele enfatizou a necessidade de cautela, afirmando que “qualquer alteração precisa considerar o impacto sistêmico sobre a indústria e a economia como um todo”. O levantamento da CNI também aponta que o fim da escala 6×1 pode gerar um aumento de até R$ 267 bilhões por ano na folha de pagamento das empresas, afetando especialmente setores industriais e micro e pequenas empresas.
Embora reconheça a demanda legítima por melhores condições de trabalho, Camargo defende que as soluções devem ser baseadas em critérios técnicos e em diálogo amplo entre governo, trabalhadores e setor produtivo. Ele conclui que o desafio central é equilibrar avanços sociais com viabilidade econômica, afirmando: “Não se trata de negar a importância do debate, mas de garantir que qualquer mudança seja sustentável e não comprometa emprego, renda e competitividade”.
Assim, o estudo da CNI reforça a dimensão econômica do fim da escala 6×1 e sustenta a posição da indústria de que a proposta, embora socialmente relevante, exige uma avaliação cuidadosa para evitar efeitos adversos sobre o crescimento e a estrutura produtiva do país.

