O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, divulgou uma nota em resposta a um relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, que questiona as ações do ministro Alexandre de Moraes. O documento, elaborado por parlamentares que apoiam o ex-presidente Donald Trump, afirma que Moraes está em uma ‘campanha de censura’ que ‘ameaça a liberdade de expressão’.
No comunicado, Fachin refutou as alegações, afirmando que o relatório se baseia em ‘caracterizações distorcidas’. Ele informou que a Corte fará esclarecimentos por meio de canais diplomáticos adequados para promover uma ‘leitura objetiva dos fatos’. Fachin destacou que as ações de Moraes para remover conteúdo fraudulento nas redes sociais ocorreram em investigações específicas.
As ordens de remoção de conteúdo digital, segundo Fachin, estão inseridas no contexto de investigações sobre a instrumentalização criminosa de redes sociais por milícias digitais, visando a prática de diversas infrações penais. ‘As ordens de remoção de conteúdo em plataformas digitais dadas pelo Supremo Tribunal Federal inserem-se no contexto de investigações que têm por objeto a instrumentalização criminosa de redes sociais’, afirmou.
Fachin também ressaltou que a legislação norte-americana prevê exceções à imunidade das redes sociais em casos de ações penais. Ele mencionou que o relatório contém distorções sobre as decisões do STF e o sistema de proteção à liberdade de expressão no Brasil. O presidente do STF reafirmou a importância da liberdade de expressão na Constituição Federal de 1988 e na jurisprudência do STF.
O STF tem atuado na defesa da liberdade de expressão, invalidando restrições indevidas a esse direito. Fachin citou decisões emblemáticas da Corte, como a que invalidou a interpretação da lei eleitoral que permitia a censura de manifestações em ambientes universitários e a que coibiu o assédio judicial contra jornalistas.
O presidente do STF enfatizou que a liberdade de expressão é um direito essencial para a democracia e que, embora tenha uma posição preferencial no ordenamento jurídico brasileiro, não é absoluta. Ele destacou que a liberdade de expressão pode sofrer limitações em casos específicos, especialmente quando necessárias para proteger outros direitos fundamentais.
Fachin concluiu que o STF busca um equilíbrio entre a responsabilização das plataformas digitais e a proteção da liberdade de expressão, mencionando que a decisão da Corte sobre a responsabilidade civil das plataformas digitais foi resultado de um longo processo de discussão e participação da sociedade.


