A pressão alta é uma das principais preocupações de saúde pública no Brasil. Um levantamento do Ministério da Saúde indica que 29,7% dos adultos brasileiros convivem com a hipertensão arterial, o que representa quase três em cada dez pessoas.
O problema, muitas vezes silencioso, pode evoluir sem sintomas e causar sérias consequências para diferentes órgãos. O cardiologista Thiago Marinho afirma que muitos pacientes só descobrem a condição após complicações graves.
““A pressão pode permanecer elevada por anos sem causar dor ou desconforto. O diagnóstico, em grande parte dos casos, acontece tarde demais, quando já há danos acumulados”,”
explica.
O impacto da hipertensão vai além do coração e do cérebro. Os rins também são afetados pela pressão elevada. O nefrologista Ciro Bruno Costa destaca que os vasos sanguíneos renais são diretamente prejudicados.
““Quando a pressão se mantém alta por meses ou anos, os pequenos vasos que filtram o sangue começam a perder eficiência. É um processo silencioso, sem sintomas iniciais, mas que pode evoluir para doença renal crônica”,”
afirma.
Ciro também menciona um ciclo perigoso: a pressão alta danifica os rins, e rins comprometidos podem elevar ainda mais a pressão arterial. Apesar da alta prevalência da hipertensão, o diagnóstico precoce enfrenta desafios. Thiago Marinho observa que medições incorretas da pressão arterial são comuns.
““Não se deve concluir apenas com uma aferição isolada. É preciso seguir critérios, como repouso antes da medição e evitar fatores que alteram temporariamente os resultados”,”
aponta.
Exames complementares, como a monitorização ambulatorial da pressão arterial (Mapa), ajudam a avaliar os níveis ao longo do dia. Para os rins, testes simples de sangue e urina, como creatinina e taxa de filtração glomerular, podem indicar alterações precoces.
Os fatores de risco para hipertensão incluem excesso de sal, sedentarismo, obesidade e predisposição genética. No entanto, novos hábitos também têm sido observados.
““Pacientes jovens têm apresentado pressão alta relacionada ao estresse crônico, noites mal dormidas, consumo de álcool e até drogas ilícitas”,”
observa Thiago.
Ciro recomenda que a prevenção e o controle da hipertensão passam por mudanças no estilo de vida, como uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução do consumo de sal. Em alguns casos, o uso de medicamentos é necessário, sempre de forma individualizada.
““Não espere os sintomas aparecerem. Todo paciente hipertenso deveria realizar exames de sangue e urina ao menos uma vez por ano”,”
conclui Thiago.


