A mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, continuará com as etapas de processamento e beneficiamento de terras raras após um acordo de venda para a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR). O CEO da mineradora, Ricardo Grossi, fez essa afirmação durante uma reunião com o governador Daniel Vilela no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, na quinta-feira, 23 de abril de 2026.
A transação, avaliada em 2,8 bilhões de dólares, equivale a quase 14 bilhões de reais. O governo do Estado expressou preocupação em garantir que as etapas de processamento das terras raras permanecessem em Goiás, evitando que fossem transferidas para fora do estado.
Um memorando de entendimento assinado pelo ex-governador Ronaldo Caiado em março de 2026 já havia estabelecido parcerias com os EUA para o mapeamento e pesquisa de terras raras em Goiás, visando criar um mercado mais aberto e transparente para esses minerais críticos.
Durante o encontro que durou cerca de 40 minutos, Grossi apresentou o modelo de negócios resultante da transação e destacou que a principal mudança seria a transferência de capitais. Os atuais proprietários da Serra Verde, Denham Capital, Energy and Minerals Group e Vision Blue, manterão 34% de participação na nova operação.
A estrutura de controle da empresa será alterada, com Sir Mick Davis e Thras Moraitis, presidente do Conselho e CEO do Grupo Serra Verde, respectivamente, ingressando no Conselho de Administração da empresa combinada. Thras Moraitis assumirá o cargo de presidente, enquanto Ricardo Grossi continuará liderando as operações no Brasil.
Quanto ao tratamento das terras raras, Grossi assegurou que a única mudança será a potencialização das etapas de processamento. Atualmente, a Serra Verde realiza os estágios 1 e 2, e com a transferência de tecnologia da USAR, o beneficiamento deve avançar para o estágio 4.
Os elementos de terras raras (ETRs), que incluem 15 elementos da tabela periódica e dois outros com propriedades semelhantes, são essenciais em diversos dispositivos eletrônicos e na produção de ímãs permanentes, que aumentam a eficiência dos motores elétricos. Em Minaçu, a mineradora produz um concentrado mineral rico em ETRs, como neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb).

