O professor de Relações Internacionais da ESPM de São Paulo, Gunther Rudzit, analisou as falhas na estratégia dos Estados Unidos e de Israel em relação ao Irã. A análise foi feita durante sua participação no programa WW Especial, onde discutiu as lições estratégicas da guerra no Oriente Médio.
Rudzit destacou que as falhas de leitura política e estratégica são fundamentais para entender os desdobramentos do confronto. Ele mencionou que a forma como Teerã reagiu às pressões e ataques é central na dinâmica do conflito. O professor recorreu ao pensamento do teórico militar Carl von Clausewitz para sustentar sua avaliação, enfatizando a distância entre decisões políticas e a complexidade da guerra.
““Primeira lição que sempre destaco é voltar a Clausewitz, aos clássicos”, afirmou.”
Ele ressaltou que a guerra é orientada pela política, afirmando que “quem define os objetivos de uma guerra não são os militares, mas a liderança civil”. Rudzit criticou a interpretação equivocada sobre a estrutura de poder iraniana, especialmente a ideia de que o regime poderia colapsar com a eliminação de lideranças.
““Houve uma leitura muito equivocada de que o centro de gravidade do regime iraniano seriam suas lideranças”, disse.”
O professor argumentou que acreditou-se que uma estratégia de decapitação levaria ao enfraquecimento do sistema, o que não ocorreu. Além disso, ele destacou o erro de projetar padrões de comportamento próprios sobre o adversário em um cenário de guerra.
““É um erro clássico imaginar que o inimigo vai reagir como você espera”, ressaltou.”
Rudzit explicou que, na guerra, nada garante que o plano sobreviva ao primeiro contato com a realidade. Segundo ele, o Irã desenvolveu uma estratégia de resposta menos convencional, baseada em pressão indireta e efeitos econômicos.
““Há uma percepção de que o Irã busca explorar vulnerabilidades econômicas como forma de pressão estratégica”, comentou.”
Ele também citou o histórico de ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz como parte dessa lógica de dissuasão, lembrando que o tema não é recente no discurso iraniano.
““O Estreito de Ormuz sempre esteve no horizonte dessa estratégia de pressão”, pontuou.”
Por fim, Rudzit criticou a tomada de decisões baseada em consensos fechados entre lideranças políticas e militares, alertando que isso pode levar a escolhas estratégicas com baixa capacidade de adaptação diante da realidade do conflito.
““O problema do pensamento de grupo é que ele reduz o questionamento e reforça decisões já tomadas”, concluiu.”

