A região metropolitana de Los Angeles enfrenta uma queda populacional preocupante. Entre 2024 e 2025, a região perdeu cerca de 54 mil habitantes, consolidando uma tendência que se repete há anos e levantando dúvidas sobre o futuro econômico local.
Especialistas apontam que a combinação de uma política migratória mais restritiva e o alto custo de vida são fatores que contribuem para essa transformação. A queda abrupta da imigração internacional, historicamente essencial para o crescimento de Los Angeles, é um dos principais motivos para a redução populacional.
Durante a administração de Donald Trump, políticas mais rígidas reduziram drasticamente a entrada de estrangeiros. O número de novos imigrantes caiu de 92 mil em 2024 para apenas 29 mil em 2025, rompendo uma dinâmica histórica em que a chegada de imigrantes compensava a saída de moradores para outras regiões do país.
Além disso, Los Angeles continua perdendo moradores para outros estados americanos. Em 2025, o saldo migratório interno foi negativo em cerca de 105 mil pessoas, refletindo uma busca crescente por regiões com custo de vida mais acessível. Os estados com preços mais baixos atraem principalmente jovens e famílias, que sustentam o crescimento econômico a longo prazo.
Outro fator que agrava a perda populacional é a queda na taxa de natalidade e o aumento da população idosa. A taxa de fertilidade no sul da Califórnia caiu para cerca de 1,43 filho por mulher, bem abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,1. A população acima de 65 anos deve crescer mais de 60% até 2040, alterando a relação entre trabalhadores e dependentes.
Essa combinação de menos jovens, menos imigrantes e mais idosos pode ter implicações diretas sobre o crescimento econômico. A diminuição do número de trabalhadores pode resultar em menor dinamismo produtivo, enquanto a redução de potenciais compradores afeta o mercado imobiliário. Especialistas alertam que o impacto pode se estender por décadas.
Apesar dos sinais de alerta, analistas não comparam diretamente Los Angeles a cidades do “cinturão da ferrugem” dos EUA, como Detroit e Cleveland, que sofreram colapsos industriais. Los Angeles ainda mantém vantagens competitivas, como clima favorável e uma economia diversificada.
O fenômeno da desaceleração do crescimento populacional não é exclusivo de Los Angeles. Dados mostram que essa tendência se espalha por diversas regiões dos Estados Unidos e outros países. A oferta global de migrantes tende a diminuir, levantando questões sobre a capacidade da imigração de sustentar economias envelhecidas.
Especialistas apontam a ausência de uma estratégia coordenada para enfrentar o problema. Políticas públicas relacionadas a habitação, educação e mercado de trabalho permanecem fragmentadas. Los Angeles enfrenta o dilema de como continuar sendo uma cidade global dinâmica em um contexto de população em queda.


