Alice Macedo, aluna de 14 anos do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP), em Teresina, conquistou mais autonomia ao aprender a ler e escrever em Braille. Deficiente visual desde o nascimento, Alice frequenta o CAP desde os 11 anos e relata que sua vida mudou significativamente após o aprendizado. ‘Além de aprender o Braille e ler livros, hoje eu consigo acessar a tecnologia e também aprendi técnicas para me locomover com mais segurança’, disse a estudante.
A história de Alice ilustra o impacto da educação inclusiva na vida de estudantes da rede estadual. No Dia Nacional do Braille, celebrado em 8 de abril, o trabalho do CAP destaca a importância do sistema como ferramenta essencial de alfabetização e inclusão. Atualmente, o centro atende 46 alunos com deficiência visual, a partir dos 7 anos, e é referência no Piauí em atendimento educacional especializado.
O CAP não apenas ensina o Braille, mas também oferece suporte completo para o desenvolvimento dos alunos. Um dos destaques do centro é a produção de materiais em Braille. Utilizando uma impressora especializada, todo o conteúdo escolar é adaptado do formato em tinta para o Braille, incluindo fórmulas matemáticas e imagens que podem ser descritas ou transformadas em materiais táteis.
A professora Rosemeire Soares, também deficiente visual, enfatiza a importância do Braille em sua vida. ‘Aprender o Braille foi fundamental para minha reabilitação. Foi o que me permitiu voltar a estudar e fazer as atividades diárias’, relatou Rosemeire.
O secretário de Estado da Educação, Rodrigo Torres, afirmou que o investimento em educação inclusiva é prioridade. ‘O Braille continua sendo a base da alfabetização e da autonomia para as pessoas com deficiência visual’, destacou. Ele ressaltou que dominar o letramento tátil é crucial para que os alunos construam trajetórias educacionais sólidas e tenham acesso a oportunidades.
Em 2026, 116 estudantes com deficiência visual estão matriculados nas escolas da rede estadual do Piauí. O ensino do Braille é parte da rotina pedagógica, especialmente nas Salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Muitos desses alunos também frequentam o CAP, onde recebem atendimento completo, incluindo o uso do Soroban, orientação e mobilidade, e acompanhamento de uma equipe multiprofissional.
Outro diferencial do CAP é a informática acessível, que permite aos estudantes utilizarem computadores e celulares com recursos adaptados, ampliando as possibilidades de aprendizagem e comunicação.


