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Refloresta SP transforma propriedades no Vale do Paraíba

Amanda Rocha
Última atualização: 20 de abril de 2026 08:33
Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

No Sítio Esperança, em Lagoinha, o produtor rural Causio Giovani Figueira, 43 anos, observou uma transformação significativa em sua propriedade após aderir ao Programa Refloresta SP, em novembro de 2024. A produção de leite aumentou de 270 litros por dia para 700 litros no pico.

Em 2024, o sítio contava com 25 vacas em lactação e não possuía um sistema estruturado de manejo de pastagens. A produção variava entre 270 e 300 litros diários. Com a entrada de oito novilhas, o rebanho cresceu para 33 animais em lactação. A reorganização produtiva e a implantação de 13,25 hectares de sistema silvipastoril melhoraram o solo e a eficiência no manejo.

A propriedade também recebeu ações de restauração em 1,77 hectare e conservação de 0,74 hectare de vegetação nativa, incluindo ampliação de piquetes, instalação de bebedouros e plantio de mudas. Com a nova estrutura, a produção atingiu 700 litros de leite por dia, um crescimento de aproximadamente 159% em relação ao patamar inicial.

““Foi um momento de grande produção. Meu tanque é de 700 litros por dia e chegou no limite, faltaram poucos litros para derramar. Agora já preciso estudar comprar um tanque maior, porque entram mais animais e a produção continua aumentando”, afirma Figueira.”

Ele destacou que o aprendizado técnico foi decisivo para a transformação da propriedade.

““Eu não conhecia as técnicas de manejo de pastagem. Achava que água para o gado era só no mangueiro ou no rio. Com orientação, colocamos água em todos os piquetes e organizamos o sistema. Isso mudou tudo.””

O apoio do mecanismo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) desenvolvido pelo Governo de São Paulo trouxe segurança financeira para novos investimentos.

““Antes eu dependia só da produção para fazer qualquer melhoria. Com o PSA, consegui investir em irrigação e melhorar as nascentes. A água era pouca e hoje a gente vê diferença.””

O investimento previsto no Sítio Esperança é de R$ 70,4 mil, com R$ 20,4 mil já executados.

Em São Luiz do Paraitinga, o produtor rural Leandro Mantesso, 51 anos, adquiriu o Sítio Raízes I há quatro anos com o objetivo de transformar a antiga área de pastagem em um modelo de restauração produtiva. A propriedade possui 50 hectares, sendo 15 hectares de mata nativa preservada e 35 hectares anteriormente destinados à pecuária.

No âmbito do Projeto Vale + Verde, Mantesso converteu 18,23 hectares de pastagem degradada em Sistema Agroflorestal (SAF), diversificando a produção e recuperando o solo de forma sustentável. Desse total, 5,35 hectares já estão consolidados. A propriedade mantém ainda 13,83 hectares de vegetação nativa conservada e 0,35 hectare em restauração florestal.

““Eu comprei a propriedade com o objetivo de fazer uma restauração produtiva, uma agrofloresta mesmo. A diferença é muito nítida. Quando chove forte, na área de pasto a água escoa superficialmente. Já no SAF, ela infiltra no solo.””

Segundo Mantesso, o impacto também é social.

““O pessoal que trabalha com a gente estava acostumado a lidar com gado e começa a aprender outra forma de trabalhar com a natureza e com a agricultura.””

As duas propriedades integram o Projeto Vale + Verde, que prevê investimento de R$ 11,4 milhões ao longo de três anos para incentivar produtores rurais a conservar vegetação nativa e converter áreas degradadas. Até o momento, 110 contratos de Pagamento por Serviços Ambientais foram formalizados na região, com cerca de R$ 3 milhões executados.

O Projeto Vale + Verde integra a carteira de iniciativas do Refloresta SP, coordenadas pela Diretoria de Biodiversidade e Biotecnologia (DBB), da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). As ações abrangem cerca de 37,7 mil hectares em restauração no território paulista, contribuindo para o cumprimento da meta do Plano Estadual de Meio Ambiente.

““As ações que estamos acompanhando no Vale do Paraíba mostram que é possível unir conservação ambiental e fortalecimento da produção rural”, afirma a secretária da Semil, Natália Resende.”

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