O sistema de rádio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Sorocaba, São Paulo, voltou a apresentar falhas nesta semana, complicando o trabalho das equipes. Desde segunda-feira, 20 de abril, o serviço enfrenta problemas técnicos que obrigaram os agentes a comunicar casos graves, como duas paradas cardiorrespiratórias registradas na quinta-feira, 23, pelo aplicativo WhatsApp.
Esse não é o primeiro apagão enfrentado pelo Samu. O serviço já havia passado por uma situação semelhante no dia 9 de abril, que durou pelo menos três dias. Na ocasião, a comunicação era feita de forma individual com cada agente, mas agora um grupo no WhatsApp foi criado para facilitar a comunicação das ocorrências. Apesar disso, funcionários relataram que a nova abordagem não resolveu as deficiências geradas pela falta do sistema de rádio.
Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que 90% do sistema de rádio está funcionando. No entanto, os trabalhadores contestam essa afirmação, alegando que a situação atual é de 100% sem rádio. Um funcionário que preferiu não se identificar expressou sua indignação: “Todo mundo revoltado aqui. É o absurdo do absurdo isso”.
A situação atual contraria a Portaria número 2.048, de 5 de novembro de 2002, que estabelece normas para o serviço de atendimento pré-hospitalar móvel, incluindo a obrigatoriedade do rádio como meio de comunicação. A norma determina que as ambulâncias devem estar equipadas com rádio-comunicação fixo e móvel, garantindo a comunicação contínua entre a equipe em campo e a Central de Regulação Médica.
O Ministério da Saúde considera o rádio essencial para o funcionamento do Samu, tendo criado a função de rádio-operador para garantir a operação contínua do sistema de comunicação. Este profissional é responsável por manter a comunicação entre a equipe de regulação e as ambulâncias, assegurando que a comunicação seja registrada e rastreável.
A Prefeitura de Sorocaba, em nota, explicou que a indisponibilidade parcial do sinal ocorreu devido à queda da torre que abrigava a repetidora de rádio. Como medida emergencial, os equipamentos foram reinstalados no prédio do Corpo de Bombeiros, mas ainda há áreas com cobertura limitada. A prefeitura também informou que está em processo de adesão a uma nova solução de comunicação, com previsão de conclusão em até três meses.
Desde 2018, a empresa contratada pela Prefeitura para atender a telecomunicação já recebeu R$ 1,3 milhão. Apesar das alegações da administração municipal sobre a funcionalidade do sistema, os agentes continuam a relatar dificuldades significativas no atendimento devido à falta de comunicação adequada.

