O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não irá discutir um projeto para o fim da escala 6×1 no Brasil que inclua desonerações para as empresas. Essa posição do governo enfrenta resistência do setor empresarial e da oposição, que não aceitam alterações na jornada de trabalho sem compensações financeiras.
A analista de Política Isabel Mega comentou, durante o programa Bastidores CNN, que a discussão sobre o fim da escala 6×1 se intensificará na comissão especial que será instalada na próxima semana na Câmara dos Deputados. Ela destacou:
““Ele [Hugo Motta, presidente da Câmara] já disse que pretende anunciar agora mesmo essa comissão especial e que a ideia é que ela seja instalada semana que vem. A partir daí começam os debates, no âmbito dessa comissão, que vão tratar das medidas de compensação de um lado, e do outro dessa questão da transição.””
Mega também mencionou que as principais dúvidas no debate são se haverá uma transição uniforme para todos os setores ou se alguns terão regras específicas. Segundo a analista, parlamentares do PT afirmam que
““agora começa a briga”,”
mas não veem isso como algo negativo. Ela acrescentou que, na avaliação de alguns membros do PT, essa é uma oportunidade para o partido e o presidente Lula se destacarem na discussão sobre a 6×1.
Isabel Mega ressaltou que o fim da escala 6×1 não implica necessariamente a adoção de uma jornada 4×3, como sugerido no projeto da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A alternativa mais viável, considerando a distribuição de horas, seria a escala 5×2, onde o trabalhador trabalha cinco dias e folga dois, garantindo um final de semana completo.
Além disso, há discussões sobre a possibilidade de implementar um modelo semelhante ao dos Estados Unidos, que prevê pagamento por hora trabalhada, proposta já mencionada pela oposição. Mega observou:
““De alguma forma a gente tem que discutir isso, a gente tem que acompanhar o debate que está acontecendo lá fora e que o Brasil também precisa estar nesta esteira e repensar essas relações trabalhistas do ponto de vista da modernização.””
O cronograma estabelecido pelos parlamentares prevê que a proposta avance na Câmara durante o mês de maio, seguindo posteriormente para o Senado, com a meta de concluir a tramitação ainda neste semestre.

