O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, afirmou ser inocente das acusações de assédio que resultaram em sua demissão em 2024. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Superior Tribunal Federal (STF) por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
No dia 31 de março, Almeida publicou um vídeo em suas redes sociais, onde alegou sua inocência e afirmou ser alvo de racismo. Ele declarou que as denúncias fazem parte de um ataque com motivações raciais e políticas. “A forma violenta e injusta com que eu fui retirado da vida pública também se apoiou em uma outra realidade que merece igual atenção, a situação dos homens negros numa sociedade que frequentemente nos associa à brutalidade e ao descontrole”, disse.
Almeida continuou, afirmando que “vale-se, portanto, de uma indignação legítima de muitas pessoas para fazer uma mentira circular como se fosse uma verdade. Homens e meninos pretos são vistos com suspeita permanente. Sobre nós, é mais fácil projetar o mal que se quer expurgar”.
O ex-ministro criticou a forma como o caso veio à tona, ressaltando que não teve a oportunidade de se defender durante o inquérito. “O que tenho a dizer sobre esse caso, eu direi no lugar certo, na Justiça, diante de um juiz”, afirmou.
Almeida também sugeriu que a denúncia foi utilizada para afastá-lo da vida política, afirmando: “Uma causa tão importante foi usada para me tirar da política”. A denúncia contra ele foi apresentada ao STF no início de março e o processo está sob sigilo.
As acusações contra Almeida surgiram em 2024, levando à sua demissão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em novembro de 2025, ele foi indiciado pela Polícia Federal pelo mesmo crime. Anielle Franco relatou, em depoimento à Polícia Federal, ter sido alvo de atitudes desrespeitosas e importunações desde a transição de governo, no final de 2022.

