Um estudo recente revelou que cerca de 31,7% dos adultos nas capitais brasileiras enfrentam dificuldades para dormir. Em busca de soluções, muitos têm recorrido a playlists de sons como o ruído branco, rosa e marrom, disponíveis em aplicativos de música.
A médica otorrinolaringologista Cíntia Felicio Adriano Rosa, especialista em medicina do sono, explica que o termo “ruído colorido” se refere a diferentes tipos de som que variam conforme a distribuição das frequências. No ruído branco, todas as frequências têm a mesma intensidade, enquanto em outros tipos, algumas frequências se sobressaem.
Uma das hipóteses que sustentam a eficácia desses sons é a redução do nível de alerta do corpo. Estudos limitados sugerem que sons de banda larga podem diminuir a frequência cardíaca e respiratória, favorecendo o relaxamento, especialmente em bebês. Outra teoria aponta que o ruído pode atuar como um “mascarador” de sons externos, reduzindo o impacto de ruídos incômodos durante o sono.
O ruído branco é o mais conhecido, abrangendo frequências de aproximadamente 20 Hz a 20.000 Hz, criando um som constante que ajuda a mascarar ruídos incômodos. No entanto, algumas pessoas consideram esse som alto e estridente. O ruído rosa, que concentra mais energia nas frequências graves, é associado à melhora da memória e da qualidade do sono, especialmente em adultos mais velhos, segundo um estudo de 2017.
O ruído marrom intensifica os sons graves, criando um som mais profundo, que pode ser mais confortável para algumas pessoas. Apesar da popularidade crescente, o uso desses ruídos enfrenta críticas. Cíntia ressalta que as evidências científicas ainda são limitadas e que o uso de sons para dormir pode mascarar sinais importantes do ambiente, como alarmes.
Além disso, o uso de dispositivos próximos ao ouvido em volumes elevados pode prejudicar a saúde auditiva. Um estudo recente indicou que o ruído rosa pode interferir na arquitetura do sono, reduzindo o tempo de sono REM, essencial para a memória e o processamento emocional.
Por fim, Cíntia destaca que, embora os ruídos possam ajudar algumas pessoas, hábitos como manter uma rotina regular, evitar estimulantes à noite e criar um ambiente propício para o sono são fundamentais. Se os problemas persistirem, a busca por avaliação médica é recomendada.

