O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou uma articulação política com o Congresso e o Palácio do Planalto para tentar conter a crise institucional que se agravou nas últimas semanas.
A movimentação envolve conversas do ministro Gilmar Mendes com os presidentes da Câmara e do Senado, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em torno de um possível pacto entre os Poderes. Segundo o colunista Robson Bonin, a iniciativa surgiu a partir de discussões internas no Supremo e tem como pano de fundo o desgaste da Corte diante de críticas públicas e das repercussões do caso Banco Master.
A proposta tem como objetivo central reduzir a pressão concentrada sobre o Supremo. “Esse movimento iniciado pelo ministro Flávio Dino tem a intenção de diluir essa crise”, afirmou Bonin.
A avaliação interna é que o tribunal passou a ocupar o centro do debate político e das redes sociais, especialmente diante de denúncias e questionamentos recentes envolvendo ministros. Uma alternativa inicialmente cogitada era a criação de um código de conduta interno para o STF, mas essa medida teria um custo político elevado. “Implementar um código de conduta no Supremo implicava admitir que o problema está no Supremo”, disse Bonin.
Ao transferir a discussão para um pacto mais amplo, a Corte tenta dividir responsabilidades e mostrar que os desafios institucionais atingem diferentes esferas do poder público. “Quando todo mundo está envolvido, o problema não é especificamente de um poder ou de outro, é do país inteiro”, resumiu.
Gilmar Mendes já conversou com o presidente da Câmara, Hugo Motta, que sinalizou apoio à iniciativa e abertura para discutir propostas ligadas ao Judiciário, como racionalização de gastos e revisão de práticas administrativas. Nos próximos dias, o ministro também deve procurar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente Lula.
A posição de Alcolumbre, no entanto, ainda é vista como incerta nos bastidores. A leitura predominante em Brasília é de ceticismo quanto à possibilidade de resultados imediatos. Bonin observa que o calendário eleitoral tornou o Congresso menos propenso a enfrentar temas complexos ou impopulares. “Na prática, é difícil imaginar que vá ter algum tipo de resultado este ano”, disse.
O escândalo do Banco Master continua sendo o principal foco de tensão. Bonin afirma que nenhum pacto institucional terá força suficiente para encerrar a crise enquanto novas revelações surgirem sobre o caso. “A grande questão em Brasília são as revelações do escândalo do Master que vão surgir na esteira das delações premiadas negociadas com a Polícia Federal”, afirmou.


