A Strategy, empresa liderada por Michael Saylor, anunciou um plano para captar até US$ 42 bilhões em dívida com o objetivo de ampliar sua posição em bitcoin. A companhia já é a maior detentora pública de criptomoeda.
O plano segue a estratégia da empresa de atuar como uma espécie de “tesouraria de bitcoin”, focada na acumulação do ativo ao longo do tempo. No entanto, de acordo com o documento da Securities and Exchange Commission divulgado na segunda-feira (30), a empresa interrompeu uma sequência de 13 semanas consecutivas de compras e não adquiriu novos bitcoins no período mais recente.
O bitcoin opera em leve alta diante de desdobramentos da guerra, mas a cautela limita ganhos. Bernardo Pascowitch, CEO do Yubb e apresentador da Resenha do Dinheiro, afirma que o plano tem um nível de alavancagem e riscos envolvidos.
““Basicamente transformou a empresa em uma tesouraria que compra e acumula bitcoin. Quando você investe na ação, acaba se expondo a essa estratégia. Mas a ideia de dobrar essa posição é arriscada, principalmente se o bitcoin cair”,”
observa.
O cenário levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da operação em momentos de queda da criptomoeda. Segundo Marilia Fontes, especialista em renda fixa, a estrutura depende do desempenho do ativo.
““Se o bitcoin cair, a empresa precisa vender parte da posição para honrar a dívida. Até agora, o preço médio de compra ainda está abaixo do mercado, mas isso pode mudar”,”
explica.
Um ponto que reduz a pressão no curto prazo é o cronograma da dívida.
““Hoje, a empresa não tem vencimentos relevantes até 2027/28. Se o bitcoin se recuperar até esse tempo, a estratégia pode funcionar. O problema é se a queda continuar até esse período”,”
diz Pascowitch. Além do risco financeiro, surgem questionamentos sobre a concentração do ativo.
““O bitcoin nasceu com a ideia de descentralização, mas ele está concentrando uma quantidade enorme nas mãos de uma única empresa, o que vai na direção oposta do que muitos defendem”,”
complementa.
A operação ainda depende da adesão de investidores, em um momento de maior cautela com ativos de risco e custo de financiamento mais elevado.

