O Tribunal de Contas da União (TCU) vai encaminhar informações referentes à gestão financeira e orçamentária dos Correios ao Congresso Nacional. A medida atende a um pedido do deputado Evair Ferreira (PP-ES). O parlamentar solicitou que o tribunal enviasse dados sobre as causas do déficit, a evolução de despesas da estatal e a regularidade da gestão de precatórios, após um prejuízo de R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre de 2025.
Além disso, Ferreira pediu informações sobre falhas de governança e a compatibilidade dos investimentos com os princípios da responsabilidade fiscal. Em seu voto, o relator da matéria, ministro Walton Alencar, afirmou que a evolução “alarmante” das despesas administrativas e financeiras da estatal já vem sendo acompanhada pelo tribunal há algum tempo.
No ano de 2024, a “Sustentabilidade Econômico-Financeira dos Correios” foi incluída na Lista de Alto Risco (LAR). O ministro Alencar explicou que essa classificação representa um dos mais altos níveis de alerta da Corte, indicando que a estatal apresenta vulnerabilidades que podem comprometer a prestação de serviços essenciais e gerar impactos fiscais severos.
“”A inclusão do tema na LAR impõe monitoramento prioritário e intensivo, estruturado em eixos como desempenho financeiro, gestão de pessoal e eficiência operacional, visando mitigar riscos de fraude, desperdício e má gestão”, afirmou o ministro.”
Em 2022, a empresa registrou um prejuízo superior a R$ 700 milhões. Em 2024, o déficit aumentou para R$ 2,5 bilhões. O rombo de 2025 ainda não foi oficialmente fechado. Para manter as operações, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos, recebendo R$ 10 bilhões desse total no início deste ano, após o Tesouro Nacional oferecer garantias.
O dinheiro será utilizado para quitar dívidas imediatas e sustentar a operação, mas a empresa admite que pode precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo do ano. No final de 2025, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, alertou que o resultado negativo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões se o ciclo de perdas não for interrompido.
Na tentativa de equilibrar as contas, os Correios anunciaram, no final de 2025, um amplo programa de reestruturação. O programa prevê um corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de cerca de mil agências, das aproximadamente 5 mil unidades atualmente em operação. Segundo Rondon, o modelo econômico-financeiro da empresa deixou de ser viável, e o plano busca reverter uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízos, com a expectativa de economizar R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027 com as medidas.


