A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está testando a abordagem teranóstica no combate ao câncer. Essa estratégia inovadora combina diagnóstico e tratamento em um único processo, utilizando radiofármacos, que são medicamentos com elementos radioativos.
A técnica permite identificar tumores por meio de exames de imagem e direcionar radiação em doses muito pequenas diretamente às células cancerígenas. O resultado é um tratamento preciso e personalizado, com efeitos adversos minimizados.
O trabalho é conduzido pelo Centro de Inovação Teranóstica em Câncer (CancerThera) e já foi aplicado em ao menos 100 pacientes, incluindo casos oncológicos avançados. Para avançar, o grupo firmou uma parceria com o Centro Uruguaio de Imagenologia Molecular (Cudim), que prevê a troca de pesquisadores e o desenvolvimento conjunto de estudos.
Carmino Antonio de Souza, professor da Faculdade de Ciências Médicas e diretor do CancerThera, explicou que a colaboração busca gerar conhecimento e contribuir para novas estratégias terapêuticas.
““Teranóstica vem da junção de diagnóstico e terapia. Faz parte da medicina personalizada”, disse Carmino.”
A abordagem teranóstica utiliza a medicina nuclear, injetando uma substância que emite um sinal detectável em exames, como o Flúor-18 ou o Lutécio-177, que se liga diretamente ao tumor. Após a detecção, uma substância semelhante é aplicada, liberando radiação que ataca as células cancerígenas.
Carmino destacou que a técnica é considerada inovadora por ser mais precisa e ter menor toxicidade em comparação a outras formas de terapia, como a quimioterapia e a radioterapia externa.
As pesquisas estão em fase translacional, com testes em ambiente controlado e aprovação de comitês de ética. Neste momento, não há intenção de submeter à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aprovação como medicamento, pois o foco é entender a terapia.
O CancerThera já avaliou a aplicação do PSMA-Lutécio-177 em mais de 100 pacientes com câncer avançado. Embora ainda não haja resultados publicados, Carmino afirmou que a resposta dos tratamentos tem sido promissora.
““Temos vários pacientes que se beneficiaram, tem paciente que melhorou da dor”, afirmou Carmino.”
A parceria com o Cudim, firmada em fevereiro deste ano, visa acelerar o desenvolvimento de tratamentos oncológicos baseados em substâncias teranósticas, promovendo a cooperação científica e tecnológica entre as instituições.


