Uma testemunha contestou a versão apresentada por policiais sobre a morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, que foi baleada durante uma abordagem policial em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. O incidente ocorreu na madrugada de 3 de abril, quando Thawanna caminhava com o marido e o retrovisor da viatura da PM colidiu com o braço dele.
Erick Levy, que presenciou a ação, afirmou que a abordagem foi marcada por agressões verbais e físicas iniciadas pela Polícia Militar. Ele relatou:
““Eu vi a viatura jogando para cima deles. Foi no momento em que a policial saiu toda agressiva, chamando de ‘vagabunda’. A Thawanna falou: ‘Vagabunda é você, eu só perguntei porque você jogou o carro para cima de mim'”
.
Levy continuou descrevendo a sequência de eventos, afirmando que a policial deu um murro em Thawanna e a chutou.
““A Thawanna foi para trás, deu uma respirada, e deu um tapa na mão da policial. A policial foi para trás e deu um tiro na Thawanna,””
completou.
O disparo, que atingiu o peito de Thawanna, ocorreu após uma discussão sobre a batida do retrovisor. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) começou a ouvir testemunhas e familiares da vítima no dia 10 de abril.
Outra testemunha, o artista plástico Vinícius dos Santos Rocha, descreveu a abordagem como “arbitrária” e relatou que a situação se agravou após a perseguição de um motociclista. Ele afirmou:
““Quando eles pararam a perseguição e voltaram para a nossa rua, foi aí que toda a situação aconteceu.””
O atestado de óbito, emitido pelo Instituto Médico Legal (IML), indicou que Thawanna morreu por hemorragia interna aguda, causada pelo disparo. O resgate demorou mais de 30 minutos para chegar, apesar de bases do Corpo de Bombeiros estarem próximas. O Corpo de Bombeiros instaurou uma sindicância para apurar a demora no atendimento.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte, que é tratada como decorrente de intervenção policial. O caso foi registrado por uma câmera corporal de outro agente, que capturou o momento do disparo e a sequência de eventos que levaram à morte de Thawanna.
O tempo de resposta do resgate foi superior ao estipulado pela Polícia Militar, que estabelece uma meta de atendimento em até 20 minutos. A Secretaria da Segurança Pública informou que todas as circunstâncias estão sendo investigadas com prioridade.


