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Testes genéticos para atletas mulheres nos Jogos Olímpicos: o que a ciência revela

Amanda Rocha
Última atualização: 20 de abril de 2026 05:03
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que, a partir dos Jogos de Los Angeles 2028, a categoria feminina será limitada a atletas do sexo biológico feminino, com base em testes genéticos.

Segundo Kirsty Coventry, primeira mulher a presidir o COI, as evidências científicas indicam que o cromossomo masculino cria vantagens em esportes que envolvem força, potência e resistência.

O teste genético será exigido para confirmar se a atleta é realmente do sexo feminino, ou seja, se não apresenta o cromossomo Y. O sexo em humanos é determinado pela presença do cromossomo Y, onde um indivíduo com cariótipo 46,XX é considerado do sexo feminino e 46,XY do sexo masculino.

O cariótipo é o conjunto de cromossomos de um indivíduo, representando sua constituição genética. Cada célula analisada deve apresentar 22 pares de cromossomos autossômicos, que são idênticos em ambos os sexos, além de um par de cromossomos sexuais, totalizando 23 pares.

Existem síndromes cromossômicas que podem alterar o número de cromossomos. Na Síndrome de Klinefelter, os indivíduos apresentam três cromossomos sexuais (cariótipo 47,XXY) e são considerados do sexo masculino. Já na Síndrome de Turner (cariótipo 45,X), que afeta apenas o sexo feminino, as portadoras possuem apenas um cromossomo X.

O COI exigirá, a partir de 2028, um teste que detecta a presença do gene SRY, que é exclusivo do cromossomo Y. Este exame genético simples pode ser realizado com qualquer amostra biológica, como sangue ou saliva, e apenas atletas com resultado negativo para o gene SRY poderão competir na categoria feminina.

A questão dos testes genéticos e a definição de categorias esportivas com base no sexo biológico é complexa e ainda não há consenso no meio científico. O desempenho atlético é influenciado por múltiplos fatores, incluindo interações entre genes e ambiente.

Estudos recentes buscam identificar marcadores genéticos associados ao desempenho atlético, resistência e potência. A polêmica sobre as vantagens de atletas com cariótipo 46,XY competindo em categorias femininas se deve ao papel da testosterona durante a puberdade masculina, que promove características físicas que podem impactar o desempenho esportivo.

Apesar dos avanços em equidade de gênero, ainda existem lacunas para atletas de gêneros variados. Competições mistas de gênero/sexo podem surgir como uma alternativa para que esses atletas possam competir.

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