O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) negou, por unanimidade, um recurso da defesa da vice-governadora do DF, Celina Leão (PP), relacionado à Operação Drácon. A decisão foi tomada pela 3ª Turma Criminal em sessão realizada na quinta-feira, 23 de abril de 2026.
A sessão durou poucos minutos e o colegiado decidiu negar o recurso integralmente, mantendo válida a decisão anterior contestada pela defesa. O recurso julgado foi um agravo interno criminal, utilizado para tentar reverter decisões monocráticas dentro do tribunal. A relatoria do caso ficou a cargo da desembargadora Nilsoni de Freitas Custódio.
No agravo interno, Celina Leão foi representada por uma equipe de advogados composta por Lucas Resende Fraga, Mariana Zopelar Almeida de Oliveira Pena, Jonas Modesto da Cruz, Eduardo de Vilhena Toledo e José Francisco Fischinger Moura de Souza.
A ação está inserida na Operação Drácon, que investiga um suposto esquema de cobrança de propina em troca da liberação de emendas parlamentares no Distrito Federal entre 2015 e 2016. O Ministério Público aponta que parlamentares distritais teriam solicitado vantagens indevidas para direcionar recursos públicos, especialmente na área da saúde, com movimentação de cerca de R$ 30 milhões desviados da educação para a saúde.
Celina Leão, que era deputada distrital e presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal na época, figura entre os investigados, ao lado de Cristiano Araújo e Bispo Renato. Embora já tenha sido absolvida em primeira instância da acusação de corrupção passiva, o caso continua em outras frentes judiciais, incluindo ações de improbidade administrativa e recursos em tribunais superiores.
A decisão desta semana representa mais um revés para a defesa da vice-governadora. O TJDFT já havia negado anteriormente pedidos considerados protelatórios, como tentativas de reanalisar provas já validadas pela perícia oficial. Com a rejeição do agravo interno, a estratégia da defesa de reverter decisões dentro do próprio tribunal não teve sucesso.
O julgamento ocorre em meio à expectativa sobre o desfecho da Operação Drácon, que pode influenciar diretamente o cenário eleitoral no Distrito Federal. Celina Leão responde a ações que, em caso de condenação por órgão colegiado, podem levar à inelegibilidade com base na Lei da Ficha Limpa. Especialistas afirmam que o impacto eleitoral depende do andamento final dos processos, incluindo eventual trânsito em julgado das decisões. Até o momento, não houve manifestação pública da defesa sobre a decisão desta quinta-feira.


